Toffoli designa peritos da PF para perícia em operação sem aval da corporação
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), ignorou a Polícia Federal (PF) ao designar diretamente quatro peritos da corporação para acompanhar a extração de dados e realizar a perícia do material apreendido na Operação Compliance Zero.
No despacho, Toffoli nomeou nominalmente os peritos Luís Filipe da Cruz Nassif, Tiago Barroso de Melo, Enelson Candeia da Cruz Filho e Lorenzo Victor Schrepel Delmutti. Eles terão livre acesso ao material apreendido e deverão contar com o apoio da Procuradoria-Geral da República (PGR) para acompanhar os trabalhos periciais.
Essa escolha foi feita com base em recomendações entregues diretamente ao ministro, sem passar pela liderança da PF, o que gerou surpresa entre os investigadores, que só tomaram conhecimento dos nomes pela imprensa.
Apesar da iniciativa não ter consultado a cúpula da corporação, os peritos indicados são reconhecidos por seus colegas como profissionais qualificados, competentes e experientes.
A decisão de liberar os peritos da PF foi tomada um dia após Toffoli restringir o acesso ao material apenas à PGR, configurando o segundo avanço e recuo no caso em menos de 24 horas.
Inicialmente, o ministro determinou que todos os bens e materiais apreendidos pela PF deveriam ser lacrados e guardados na sede do STF até nova ordem.
Essa decisão causou preocupação entre os integrantes da PF, que acreditavam ser necessária a autorização imediata para iniciar a análise e extração dos dados dos aparelhos apreendidos. Havia temores de que esses dispositivos pudessem ser acessados remotamente, comprometendo a investigação, ou que provas fossem destruídas.
Além disso, alguns policiais questionavam se o STF teria capacidade técnica para realizar a extração correta dos dados.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, solicitou que Toffoli reconsiderasse a decisão, apontando os riscos de frustração da operação se a perícia técnica não fosse iniciada imediatamente.
Horas depois, atendendo a um pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, Toffoli revogou sua ordem anterior e determinou que a PF encaminhasse o material apreendido à PGR, que ficará responsável pela extração e análise de todas as provas obtidas.
Créditos: CNN Brasil