Trump afirma que Irã procurou EUA para negociar após protestos com centenas de mortos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo, 11, que a liderança iraniana entrou em contato com o governo americano para buscar “negociações”. O anúncio ocorre após ameaças repetidas de intervenção militar caso o Irã continuasse a reprimir os protestos no país.
De acordo com Trump, a comunicação aconteceu em meio à intensificação da repressão contra manifestações que ocorrem no Irã há cerca de duas semanas. Organizações de direitos humanos relatam no mínimo 544 mortos desde o início dos protestos.
“Os líderes do Irã ligaram ontem”, afirmou Trump a jornalistas a bordo do Air Force One. “Uma reunião está sendo organizada. Eles querem negociar.” O presidente acrescentou que os Estados Unidos “talvez tenham de agir antes de uma reunião”.
As manifestações começaram devido ao aumento do custo de vida, mas logo se tornaram um desafio direto ao regime teocrático que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979. Apesar de o governo iraniano ter bloqueado o acesso à internet por vários dias, vídeos divulgados nas redes sociais mostram grandes protestos em Teerã e em outras cidades.
O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI), com sede nos Estados Unidos, informou ter recebido relatos confiáveis de que centenas de manifestantes foram mortos durante a repressão atual. A entidade descreveu a situação como um “massacre”.
A organização Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, confirmou pelo menos 192 mortes, mas destacou que o número real pode ser bem maior. “Relatos não verificados indicam que várias centenas — e, segundo algumas fontes, mais de 2 mil pessoas — podem ter sido mortas”, afirmou o grupo.
A IHR também informou que mais de 2.600 manifestantes foram presos até o momento.
Neste domingo, circulou um vídeo mostrando dezenas de corpos empilhados do lado de fora de um necrotério no sul de Teerã. A agência AFP confirmou que as imagens foram feitas em Kahrizak e mostram corpos enrolados em sacos pretos, enquanto familiares tentam reconhecer parentes desaparecidos.
Créditos: Estadão