Internacional
15:11

Trump alerta Irã sobre manifestação pacífica e EUA prometem apoio

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu as autoridades iranianas contra o assassinato de manifestantes pacíficos, declarando que os EUA “irão em seu socorro”.

Em uma breve publicação nesta sexta-feira (02/01) na rede social Truth Social, Trump afirmou: “Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, o que é de seu costume, os Estados Unidos irão em seu socorro.”

Ele não detalhou quais ações Washington poderia tomar contra as autoridades iranianas.

Um importante assessor do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, respondeu alertando Trump para que “tenha cuidado” ao interferir, afirmando que isso poderia promover caos no Oriente Médio.

“Trump deveria saber que a interferência dos EUA nesse assunto interno significaria desestabilizar toda a região e destruir os interesses da América”, escreveu o assessor.

Ao menos oito pessoas morreram no Irã durante uma escalada de violência no sexto dia de protestos contra o aumento do custo de vida.

A agência de notícias semioficial Fars e o grupo de direitos humanos Hengaw relataram mortes durante confrontos entre manifestantes e forças de segurança na cidade de Lordegan, no sudoeste do país.

Segundo a Fars, outras três pessoas morreram em Azna e uma em Kouhdasht, todas na região oeste do Irã.

Na quinta-feira (01/01), vídeos nas redes sociais mostraram carros incendiados durante confrontos entre manifestantes e policiais.

Muitos dos manifestantes pedem o fim do governo do líder supremo, enquanto outros defendem o retorno à monarquia.

Ao longo da quinta-feira, houve novos relatos de tumultos em várias cidades, no quinto dia de protestos provocados pelo colapso da moeda iraniana.

Vídeos verificados pelo Serviço Persa da BBC mostram protestos em Lordegan, na capital Teerã e em Marvdasht, na província de Fars.

A agência Fars informou que duas pessoas morreram em Lordegan, sem especificar se eram manifestantes ou forças de segurança.

A mesma agência reportou três mortes em Azna, na província de Lorestan, também sem detalhes sobre as vítimas.

O grupo Hengaw informou que os dois mortos em Lordegan eram manifestantes, identificados como Ahmad Jalil e Sajjad Valamanesh.

O Serviço Persa da BBC não conseguiu confirmar essas mortes de forma independente.

A mídia estatal informou a morte de um integrante das forças de segurança da Guarda Revolucionária em confrontos com manifestantes em Kouhdasht na noite de quarta-feira (31/12).

A BBC não verificou essa informação, e manifestantes alegam que ele era um deles, morto a tiros pelas forças de segurança.

Além disso, 13 policiais e membros da milícia Basij ficaram feridos após serem atingidos por pedras na área.

Escolas, universidades e instituições públicas permaneceram fechadas em todo o Irã na quarta-feira, em um feriado nacional declarado pelas autoridades, oficialmente para economizar energia diante do frio, mas interpretado por muitos como uma tentativa de conter os protestos.

Os protestos tiveram início no domingo (28/12) em Teerã por comerciantes irritados com a forte queda do valor da moeda iraniana frente ao dólar.

Na terça-feira (30/12), estudantes universitários também aderiram às manifestações, que se espalharam por várias cidades com cânticos contra os líderes religiosos.

Esses protestos são os mais amplos desde a revolta de 2022 desencadeada pela morte sob custódia de Mahsa Amini, acusada de não usar o véu adequadamente.

Por enquanto, porém, não alcançaram a mesma intensidade.

Para evitar mais violência, a segurança foi reforçada nas áreas de Teerã onde os protestos começaram.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o governo ouvirá as “demandas legítimas” dos manifestantes.

Por outro lado, o procurador-geral Mohammad Movahedi-Azad declarou que qualquer tentativa de causar instabilidade receberá uma “resposta contundente”.

Créditos: BBC News Brasil

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