Trump ameaça tarifas para forçar compra da Groenlândia e pressiona UE
Embaixadores da União Europeia se reuniram em caráter de emergência no domingo (18) após Donald Trump prometer aumento progressivo de tarifas contra aliados europeus até que os Estados Unidos possam adquirir a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.
Essa ameaça comercial integra uma estratégia mais ampla de Trump para pressionar os europeus a cederem a suas demandas geopolíticas, explorando as divisões internas do bloco e a dependência da Europa em relação à proteção militar americana.
De acordo com o analista Américo Martins, responsável pela apuração na CNN Novo Dia, o objetivo de Trump é anexar de fato a Groenlândia rapidamente. Ele observa que o presidente americano se sente fortalecido após ter atacado e capturado o presidente venezuelano Nicolás Maduro.
“Isso deu a ele projeção externa e a sensação de que nada pode impedi-lo de ser muito mais assertivo no cenário internacional, incluindo o uso da força para alcançar seus objetivos, mesmo que estes ataquem aliados”, explica Américo.
A Groenlândia tem grande importância geopolítica, tanto pela posição estratégica no Ártico quanto pelos seus recursos naturais. Os EUA já mantêm presença militar na região, incluindo exercícios conjuntos com nações da Otan, mas Trump busca controle total do território.
A estratégia parece contar com as divisões internas da União Europeia. Países do leste europeu, que dependem fortemente da proteção dos EUA diante de ameaças russas, podem resistir a medidas duras contra os americanos para proteger os interesses da Dinamarca.
“O presidente Donald Trump está apostando nessas divisões dentro da União Europeia”, destaca o analista.
Diante das ameaças, a União Europeia se encontra em situação delicada. O Conselho Europeu, que reúne os líderes dos países do bloco, deve se reunir para discutir possíveis respostas.
Embora retaliações comerciais estejam sendo consideradas, a capacidade de reação europeia é limitada pelas divisões internas e pela dependência militar dos EUA.
“O Conselho Europeu terá que apresentar algum tipo de resposta, possivelmente incluindo retaliações comerciais, mas não será capaz de adotar medidas mais severas”, afirma o jornalista.
Créditos: CNN Brasil