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09:08

Trump autoriza CIA a realizar operações secretas na Venezuela

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta quarta-feira (15/10) que autorizou a agência de inteligência CIA a conduzir “operações secretas” dentro da Venezuela, além de anunciar que está considerando ataques a cartéis de drogas no país.

Operações desse tipo são aquelas em que forças militares ou de inteligência atacam ou eliminam alvos em outro país, mesmo sem que os exércitos dos dois países estejam oficialmente em guerra.

Nas últimas semanas, forças americanas já realizaram ao menos cinco ataques a barcos suspeitos de tráfico de drogas no Caribe, próximo à costa venezuelana, resultando na morte de 27 pessoas. Especialistas em direitos humanos indicados pela ONU classificaram essas ações como “execuções extrajudiciais”.

Durante pronunciamento no Salão Oval da Casa Branca, Trump declarou que os EUA estão avaliando “operações em terra” ao mesmo tempo que estudam possíveis novos ataques na região.

O objetivo do presidente americano é intensificar a pressão sobre Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, que Estados Unidos e outros países não reconhecem como líder legítimo após eleições disputadas no ano passado.

Apesar disso, a Venezuela é considerada um ator secundário no tráfico regional de drogas, pois não produz narcóticos, servindo apenas como rota de passagem para alguns traficantes, mas menor que outras rotas na região.

O governo venezuelano não respondeu diretamente às informações, porém a vice-presidente Delcy Rodríguez alertou na televisão para que “nenhum agressor ouse”, ressaltando a defesa do povo venezuelano sob qualquer circunstância.

O aumento da presença militar americana na região gerou receios em Caracas sobre a possibilidade de um ataque.

Segundo o jornal The New York Times, a autorização dada por Trump permitiria que a CIA realizasse operações unilaterais na Venezuela ou dentro de qualquer ação militar americana maior.

Ainda não há confirmação se a CIA está planejando essas operações ou se as mantém apenas como contingência.

Em entrevista no Salão Oval, Trump explicou que autorizou por dois motivos: o primeiro é que a Venezuela teria esvaziado suas prisões enviando detentos para os EUA; o segundo é o combate às drogas que entram pelo mar e possivelmente pela terra.

O presidente recusou-se a comentar se essa autorização incluiria a derrubada de Maduro.

Os EUA já ofereceram recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão do líder venezuelano, a quem Trump acusa de chefiar um cartel de drogas.

Na terça-feira (14/10), seis pessoas morreram em um ataque americano contra um barco próximo à costa venezuelana, que, segundo Trump, estava traficando narcóticos e tinha ligação com redes ilegais de narcoterrorismo.

Autoridades americanas não especificaram as organizações de tráfico envolvidas nem a identidade dos ocupantes do barco.

Maduro usou rádios locais para alertar contra uma escalada do conflito, condenando mudanças de regime e golpes orquestrados pela CIA, e pediu paz aos americanos.

Ele também ordenou exercícios militares em Caracas e no estado de Miranda, mobilizando militares, policiais e milícias civis para a defesa do país.

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, expressou rejeição às declarações agressivas dos EUA e condenou o uso da CIA e o deslocamento militar no Caribe como ato de ameaça.

Trump enviou à região oito navios de guerra, um submarino nuclear e caças em uma operação para conter o narcotráfico.

Documentos vazados apontam que o governo Trump considera que está em um “conflito armado não internacional” contra organizações de narcotráfico.

Autoridades americanas acusam Maduro de integrar o chamado Cartel dos Sóis, que incluiria oficiais militares e de segurança venezuelanos envolvidos com narcotráfico, acusações negadas pelo líder venezuelano.

Mick Mulroy, ex-oficial da CIA e Subsecretário Adjunto de Defesa, afirmou à BBC que decisões presidenciais específicas são necessárias para autorizar ações secretas da agência, e que tal autorização demonstra um aumento significativo nos esforços contra o narcotráfico.

Ele ainda comparou essa possibilidade ao filme “Sicario”, que mostra agentes americanos conduzindo operações clandestinas contra cartéis no México.

A reportagem contou com colaboração de Ione Wells.

Créditos: BBC

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