Trump autoriza Guarda Nacional para Chicago após juiz barrar plano em Portland
O confronto entre o governo Trump e as cidades governadas por democratas ganhou força neste fim de semana, com um juiz federal do Oregon suspendendo o plano presidencial de enviar tropas federais para Portland, enquanto a Casa Branca autorizou o envio de centenas de membros da Guarda Nacional para Chicago.
Essas medidas ocorrem em meio a protestos contínuos em Chicago e Portland contra as ações das autoridades federais, que aplicam a política de imigração de Trump.
A administração federal qualificou as manifestações nessas cidades como “protestos violentos” conduzidos por “terroristas domésticos”, justificando a necessidade de operações militares para proteger o pessoal e as instalações da imigração federal — mesmo com líderes estaduais e municipais afirmando que os protestos foram em grande parte pacíficos e que eventual violência foi controlada pelas autoridades locais.
A tensão aumentou em Chicago no sábado (4), quando agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA efetuaram “tiros defensivos” contra uma mulher que, segundo o Departamento de Segurança Interna, colidiu com um veículo policial federal.
De acordo com o DHS, ela está sob custódia do FBI após receber alta hospitalar, mas não há confirmação sobre indiciamento.
A juíza distrital Karin Immergut concedeu no sábado uma ordem de restrição temporária que impede o envio da Guarda Nacional a Portland. Ela argumentou que autoridades locais e estaduais provavelmente terão sucesso em alegar que o presidente ultrapassou sua autoridade constitucional e violou a Décima Emenda ao ordenar esse envio.
Immergut, indicada por Trump, afirmou que o presidente parece ter federalizado a Guarda Nacional do Oregon sem respaldo constitucional, e que os protestos não representam um “perigo de rebelião”.
A magistrada destacou que os advogados do estado apresentaram evidências consideráveis de que os protestos nas instalações do ICE em Portland não foram significativamente violentos antes da ordem presidencial.
O governo Trump informou que recorrerá da decisão ao Tribunal de Apelações do Nono Circuito.
A juíza reconheceu que os incidentes recentes envolvendo manifestantes e agentes federais são graves, mas afirmou que estes não justificam o uso exclusivo de forças policiais federais.
Immergut alertou que os argumentos do governo podem confundir os limites entre poderes civis e militares federais, prejudicando o país.
Cerca de 200 soldados da Guarda Nacional estavam em treinamento para possível deslocamento a Portland, segundo porta-voz do Comando Norte dos EUA à CNN.
Com a decisão judicial, a Guarda Nacional voltou ao comando da governadora Tina Kotek temporariamente, conforme informou o procurador-geral do Oregon, Dan Rayfield.
A ordem de restrição temporária tem validade de 14 dias, mas o estado pretende pedir extensão, conforme Rayfield.
Na noite de sábado (4), manifestantes continuaram a se reunir diante de uma unidade do ICE em South Portland, com grupos a favor e contra o envio da Guarda Nacional.
Reportagens locais relataram que agentes federais usaram balas de pimenta, granadas de efeito moral e gás lacrimogêneo para dispersar as ruas.
A polícia de Portland afirmou que seus oficiais não presenciaram crimes contra pessoas ou propriedades durante os protestos, não efetuando prisões ou uso de munição.
As autoridades policiais locais encaminharam questões sobre o uso de munição para as entidades federais competentes.
A CNN buscou mais informações junto ao ICE e ao Departamento de Segurança Interna.
Créditos: CNN Brasil