Trump autoriza operações secretas da CIA contra Maduro na Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em 15 de outubro de 2025 que autorizou operações secretas da Agência Central de Inteligência (CIA) na Venezuela. Essa ação reforça as investidas do governo norte-americano contra o regime de Nicolás Maduro.
As tensões entre Venezuela e EUA aumentaram desde agosto, quando Washington anunciou o envio de navios e aeronaves militares para o sul do Caribe. Em setembro, fontes da Casa Branca informaram à imprensa dos Estados Unidos que um ataque à Venezuela estava sendo considerado.
Durante uma entrevista coletiva na Casa Branca em 14 de outubro, Trump confirmou a autorização para operações da CIA e mencionou o estudo de ataques terrestres contra cartéis de drogas, mas não respondeu sobre autorização para eliminar Maduro. Segundo o “New York Times”, operações letais podem visar o líder venezuelano e seu governo, embora não esteja claro se já há planos concretos ou datas para essas ações.
Especialistas como Maurício Santoro, doutor em Ciência Política, interpretam esses movimentos como um esforço político-militar para derrubar Maduro. O interesse dos EUA também inclui o acesso às vastas reservas petrolíferas da Venezuela, que somam 302,3 bilhões de barris, segundo o Relatório Mundial de Energia de 2025.
Santoro aponta que o aumento das tropas americanas no Caribe e a ação da CIA indicam preparação para uma grande operação militar, apesar de o poder militar americano atual não ser suficiente para invadir e ocupar um país do tamanho da Venezuela. A estratégia norte-americana usa a narrativa do combate a uma organização criminosa para obter apoio público, rotulando Maduro e seu governo como narcotraficantes, especialmente associando-os ao chamado “Cartel de los Soles”.
As relações entre EUA e Venezuela têm se deteriorado por anos, com sanções econômicas americanas baseadas em acusações de violações de direitos humanos e corrupção, além do não reconhecimento do governo Maduro. Em 15 de outubro, três bombardeiros B-52 americanos realizaram voo próximo à Venezuela, mostrando capacidade estratégica e servindo como provocação segundo especialistas.
Maduro rejeitou as acusações e as ações dos EUA, classificando-as como “golpes de Estado da CIA” e afirmou que o povo venezuelano repudia qualquer intervenção estrangeira. O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela qualificou as declarações de Trump como “belicistas e extravagantes” e denunciou políticas agressivas com intenção de tomar os recursos petrolíferos venezuelanos.
De acordo com o “New York Times”, Maduro chegou a oferecer petróleo e minerais a Trump para negociar, mas a proposta foi recusada, fechando a diplomacia entre os países.
Desde setembro, os EUA vêm bombardeando embarcações supostamente ligadas a narcoterroristas que transportam drogas para os EUA, com seis mortes em um ataque recente próximo à costa venezuelana. Trump destacou a agilidade dos barcos dos cartéis, mas afirmou que mísseis americanos são mais rápidos.
Essas operações têm sido criticadas por organizações internacionais, incluindo a Human Rights Watch, que classificou os ataques como execuções extrajudiciais ilegais, e preocupações foram levantas no Conselho de Segurança da ONU quanto à possibilidade de escalada militar e mortes de civis sem julgamento. O governo venezuelano solicitou investigação internacional, alegando que os chamados narcotraficantes eram pescadores.
Créditos: g1 Globo