Internacional
03:03

Trump avalia ataques terrestres na Venezuela e confirma ação secreta da CIA

Donald Trump anunciou que está considerando ampliar as operações militares no Caribe para incluir ataques terrestres na Venezuela, ampliando a pressão contra o governo de Nicolás Maduro. O presidente dos EUA confirmou que autorizou ações secretas da CIA no país, intensificando a campanha americana contra Maduro.

Desde agosto, navios de guerra dos Estados Unidos atuam no Caribe em operações contra o tráfico de drogas, alvos que, segundo Washington, incluem redes lideradas por Maduro. Pelo menos cinco embarcações foram bombardeadas, resultando em 27 mortes que Caracas classifica como execuções extrajudiciais. Maduro negou as acusações de narcotráfico e qualificou as ações da CIA como golpes na América Latina.

Ao comentar a possibilidade de ataques terrestres, Trump declarou que já têm o controle do mar e estão agora considerando as operações em terra. Sobre o uso da Guarda Costeira, afirmou que não acredita no sucesso de métodos “politicamente corretos”.

Maduro, em evento da comissão nacional criada após o aumento da presença militar americana, afirmou que não haverá mudança de regime na Venezuela, nem golpes semelhantes ao que ocorreram em outros países latino-americanos. Ele condenou os ataques da CIA e citou os desaparecidos durante golpes da agência na Argentina.

As novas autorizações para a CIA, reveladas a partir de fontes anônimas ao New York Times, permitem à agência realizar operações letais e ampliar sua atuação no Caribe, inclusive independentemente ou em coordenação com movimentos militares maiores, ao contrário das restrições anteriores.

Atualmente, há cerca de 10 mil soldados americanos, principalmente em Porto Rico, e 4 mil fuzileiros navais em navios no Caribe, além de oito navios de guerra e um submarino da Marinha dos EUA na região.

Os Estados Unidos também ofereceram recompensas de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão e condenação de Maduro por tráfico de drogas. Enquanto Washington acusa Maduro de comandar a gangue Tren de Aragua, avaliações da inteligência indicam contradições nesse ponto.

Maduro rechaça as acusações dizendo que são pretextos para justificar incursões militares no país, que enfrenta a “ameaça militar mais letal e extravagante da história”. A Venezuela tentou negociar, propondo participação em recursos minerais e petróleo ao governo americano, que rejeitou a oferta e encerrou a diplomacia.

Há uma percepção crescente de que o objetivo dos EUA é a remoção de Maduro. O secretário de Estado Marco Rubio lidera essa iniciativa, classificando Maduro como líder ilegítimo e “fugitivo da Justiça”. A estratégia está associada ao diretor da CIA, John Ratcliffe, que prometeu uma atuação mais agressiva da agência.

No Congresso dos EUA, cresce a insatisfação bipartidária sobre as ações no Caribe, com debates sobre a legalidade dos ataques e seu alinhamento com o direito internacional.

Como resposta, a Venezuela anunciou mobilização militar em áreas costeiras próximas ao principal aeroporto do país e em regiões como Petare, com reforço de veículos blindados e ativação de forças militares e policiais para defesa integral.

Maduro destacou que a mobilização visa proteger estruturas públicas e comunidades para garantir a paz. O ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, afirmou que os ataques americanos têm o objetivo de roubar os recursos naturais do país e integrou os exercícios militares a uma ofensiva contra a “agressão” dos EUA.

A Venezuela realizou exercícios militares em fronteira com a Colômbia e várias regiões costeiras, preparando-se também para possível decreto de estado de emergência externa, que concederia poderes especiais a Maduro e limitaria temporariamente direitos constitucionais.

As informações são de agências internacionais.

Créditos: O Globo

Modo Noturno