Internacional
18:05

Trump avalia respostas ao Irã após 192 mortos em protestos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está considerando respostas concretas à repressão do regime iraniano contra protestos que já resultaram na morte de pelo menos 192 pessoas desde o início dos atos, segundo fontes oficiais americanas citadas pelo New York Times. As opções em análise incluem sanções, ações cibernéticas e possíveis ataques militares, enquanto Trump adota um tom mais duro e se declara pronto para agir caso o governo de Teerã mantenha o uso de força letal.

Os protestos começaram devido ao aumento do custo de vida em meio a uma grave crise econômica e transformaram-se em um movimento contra o regime teocrático iraniano vigente desde 1979. Os atos ocorrem em várias cidades, como Teerã e Mashhad, apesar do bloqueio quase total da internet imposto pelas autoridades, que dificulta a comunicação e a verificação dos eventos.

Conforme a ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, ao menos 192 manifestantes, incluindo nove menores, já faleceram desde o início dos protestos. Esta entidade alerta que o número pode ser maior devido ao apagão da internet. De acordo com o Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI), baseado nos EUA, há informações confiáveis indicando que centenas de pessoas foram mortas, com hospitais enfrentando superlotação, escassez de sangue e ferimentos por tiros, inclusive nos olhos.

Trump tem aumentado o tom do discurso. Em redes sociais, declarou que o Irã está buscando liberdade como nunca antes e que os Estados Unidos estão prontos para ajudar. Em entrevistas, afirmou que pretende agir se o governo iraniano retomar execuções, deixando claro que não pretende enviar tropas, mas que os EUA infligirão danos severos ao regime.

Autoridades norte-americanas informam que Trump foi atualizado sobre diversos cenários de resposta, que incluem ataques a unidades de segurança iranianas, operações cibernéticas contra alvos militares e civis, novas sanções econômicas e iniciativas para aumentar o acesso à internet no Irã, como o envio de terminais do sistema de satélites Starlink. Não há decisão final, pois as discussões ainda estão no começo.

Está prevista uma reunião formal com membros da segurança nacional, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, para definir os próximos passos. Há receio de que uma ação militar direta possa fortalecer o discurso do regime, que acusa influências estrangeiras, e provocar retaliações contra forças e interesses americanos na região.

Em resposta, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que bases militares e centros navais dos EUA seriam considerados alvos legítimos caso haja ataques, elevando o risco de escalada em uma região já tensa, especialmente após conflitos recentes envolvendo Israel, Síria e grupos apoiados por Teerã.

O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que o governo não recuará diante dos protestos, enquanto autoridades do Judiciário e da segurança adotaram postura mais severa. O procurador-geral Mohammad Movahedi Azad classificou os manifestantes como “inimigos de Deus”, termo que pode acarretar pena de morte no sistema jurídico local. A polícia anunciou prisões significativas relacionadas aos protestos, sem divulgar detalhes.

Por outro lado, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian apresentou um discurso conciliador em entrevista, expressando condolências às famílias e afirmando que as demandas dos protestantes devem ser ouvidas, prometendo atenção às suas preocupações. Contudo, ele acusou EUA e Israel de trazerem terroristas responsáveis por ataques a mesquitas e mercados, além de ações violentas contra manifestantes.

No exterior, as manifestações provocaram reação política e mobilizações de apoio. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu expressou esperança de que o povo persa se liberte da tirania. Marco Rubio discutiu o tema com Netanyahu, abordando também questões sobre Síria e Gaza. Cidades como Paris, Londres e Istambul registraram milhares de pessoas em manifestações solidárias aos iranianos.

Trump tem citado ações militares recentes para substanciar suas ameaças, lembrando ofensivas na Venezuela e ataques em países como Síria, Iêmen e Somália. Mesmo assim, integrantes do governo reconhecem que decidir como agir no Irã exigirá equilibrar a pressão sobre o regime e evitar uma escalada regional, enquanto o número de mortos nas ruas continua aumentando. As informações são de Bloomberg, AFP e New York Times.

Créditos: O Globo

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