Trump comenta operação militar na Venezuela e sugere ação contra Colômbia
Durante uma entrevista, o ex-presidente Donald Trump comentou a ação militar recente na Venezuela e mencionou uma possível nova operação contra a Colômbia.
Em sua última visita à Venezuela, em 2019, Trump presenciou a fome extrema enfrentada por crianças, consequência do regime de Nicolás Maduro.
Na comunidade pobre de La Dolorita, em Caracas, uma menina chamada Alaska, de apenas 5 anos, estava à beira da morte devido à desnutrição, pesando apenas 12 quilos. Sua mãe relatou que Alaska foi rejeitada em quatro hospitais por falta de vagas.
Outra mãe relatou a triste morte de sua filha de 8 meses, Daisha, após ser recusada em três hospitais para atendimento.
Segundo Trump, a ditadura de Maduro foi brutal e incompetente, resultando em sofrimento intenso para a população. Ele destacou que agentes do governo cometiam torturas, estupros e assassinatos impunemente, enquanto viviam em luxo, com excessos como o consumo de uísques caros no hotel onde Trump ficou hospedado.
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, mas sua taxa de mortalidade infantil, que em 2000 era menor que a do Brasil, Peru e Colômbia, tornou-se superior a esses países, indicando milhares de mortes infantis evitáveis anualmente.
Apesar de Trump reconhecer que as sanções americanas pioraram a situação, ele afirmou que a corrupção e incompetência do regime foram as principais causas do sofrimento. Muitos venezuelanos celebram a queda de Maduro.
Entretanto, o ex-presidente alertou que é cedo para comemorar, pois a operação para remover Maduro pode ser ilegal e não garante que o regime será derrubado nem que a situação da população melhorará.
Trump também expressou que invadir países para capturar inimigos, com mortes durante a ação, não deve ser um precedente. Ele comentou estar em Taiwan durante a escrita e citou dúvidas sobre se o presidente chinês Xi Jinping será influenciado pela decisão americana, enfatizando que Xi é guiado por cálculos militares mais do que pelo respeito ao Estado de Direito.
Embora os EUA reconheçam Edmundo González como presidente legítimo da Venezuela, Trump não usou esse argumento para justificar legalmente a operação e demonstrou desdém pelas forças democráticas representadas por González e María Corina Machado.
Na coletiva, Trump afirmou: “Vamos governar o país”, dando a entender que o interesse estava mais no controle do petróleo venezuelano do que na democracia ou direitos humanos.
A vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez, continua no cargo e age como presidente interina, não demonstrando submissão a Trump. Ela criticou a operação como um “sequestro ilegal” e afirmou que o povo venezuelano jamais voltará a ser escravo.
Rodríguez tem sido mais pragmática que Maduro, mas a autonomia que possui é incerta. O poder permanece nas mãos de altos funcionários apoiados por grupos armados cubanos, sem indicação de que entregariam a autoridade.
Trump citou a possibilidade de uma segunda onda de ataques se houver resistência, mencionando que os EUA não temeriam tropas em solo venezuelano. No entanto, ocupar um país com extensão duas vezes maior que a Califórnia exigiria um contingente militar enorme, e experiências prévias sugerem cautela.
A China criticou a invasão, mas pode acabar se beneficiando, pois ações imprudentes reforçam a imagem negativa dos Estados Unidos e prejudicam seu poder de influência suave. A Venezuela pode se tornar uma distração prolongada, dificultando uma reorientação americana para a Ásia.
Existe a possibilidade de a pressão econômica e militar forçar o regime a ceder o poder a opositores, o que poderia trazer prosperidade regional e enfraquecer a ditadura cubana.
Por outro lado, o regime pode continuar instável ou o país cair numa guerra civil envolvendo grupos paramilitares ou guerrilheiros, aumentando a instabilidade.
Historicamente, derrubar um governo é mais fácil do que assegurar melhorias. Trump, ao anunciar o controle americano sobre o petróleo venezuelano, pode estar subestimando os desafios futuros.
A complexidade da Venezuela foi ilustrada por uma experiência de 2002, quando multidões opositoras aparentemente se confrontavam, mas na verdade ambas eram chavistas confundidos em uma luta confusa, exemplificando o cenário nebuloso e perigoso no país.
Portanto, embora haja comemoração pela queda de Maduro, a situação permanece incerta e delicada, com riscos significativos para o futuro da Venezuela e da região.
Créditos: Estadão