Internacional
18:09

Trump completa um ano de segundo mandato focado em diplomacia da força

Desde que assumiu o seu segundo mandato em 20 de janeiro do ano passado, Donald Trump vem promovendo mudanças significativas no cenário nacional e internacional, testando os limites de seu poder presidencial e mostrando ao mundo que os EUA atuarão com base numa diplomacia da força.

Ao longo desse ano, Trump assinou centenas de decretos presidenciais, com destaque para sua política rigorosa contra a imigração ilegal e a priorização da melhora dos indicadores econômicos. Para impulsionar a economia, uma das estratégias adotadas foi a aplicação de tarifas globais, que até o momento ainda não trouxeram os resultados esperados.

No campo internacional, ele se envolveu em eventos marcantes, como o ataque a forças americanas contra o Irã em junho do ano anterior, elevando tensões, ao passo que adotou uma postura conciliadora em outros conflitos, como na mediação da guerra entre Israel e Hamas.

Se no primeiro mandato Trump era visto como empresário de sucesso e ex-astro da televisão, nesta gestão ele se firma pela persistência em deixar uma marca no cargo máximo do governo mundial, desafiando o status quo.

Um exemplo recente dessa estratégia ocorreu em 3 de janeiro, com a captura do ditador Nicolás Maduro na Venezuela. Segundo o governo americano, a operação noturna foi uma “medida judiciária”, já que Maduro era alvo da justiça dos EUA.

A política de tarifas é vista como base da visão econômica de Trump e tem alterado o panorama internacional. As tarifas passaram de punições a ferramentas para atrair investimentos e fortalecer a economia americana, especialmente na competição com a China nas áreas de tecnologia e matérias-primas estratégicas.

O Brasil foi duramente afetado, chegando a sofrer cobranças de 50% sobre suas importações, percentual que foi reduzido após conversas entre Trump e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

O interesse renovado de Trump na Groenlândia também causou reações na Europa, com protestos contra sua intenção de anexar a ilha ártica. Recentemente, ele anunciou tarifas para todos os países que se opuserem à aquisição do território dinamarquês.

Adriana Melo, especialista em finanças e tributação, observa que as políticas desse segundo mandato deixam claro que Trump troca previsibilidade por vezes arriscadas. Segundo ela, o uso de tarifas, decretos e negociações é parte de uma tática de barganha, que tem mostrado eficácia, porém traz um custo de risco político para os EUA, que deixam de ser vistos como porto seguro de regras estáveis.

Na economia, apesar de avanços iniciais, os indicadores ainda precisam melhorar para reanimar o apoio popular e impulsionar o país. A inflação geral até dezembro de 2025 foi de 2,7%, enquanto a inflação em alimentos e saúde ficou entre 3,1% e 3,2%, acima do ideal de 2%. O desemprego está em 4,4%, melhor média histórica, mas a geração de empregos desacelerou, com apenas 50 mil vagas criadas em dezembro.

O economista Igor Lucena avalia que os republicanos podem perder a maioria no Congresso nas eleições de meio de mandato do segundo semestre, devido ao aumento do custo de vida, fator decisivo para a eleição de Trump. Ele explica que, embora haja esforço para reduzir o preço dos medicamentos e do petróleo tenha caído, os alimentos continuam caros.

Lucena destaca que a política tarifária, ao elevar os custos de produção, acaba impactando diretamente o consumidor. Ele define a visão de Trump como neo-mercantilista, que pode trazer ganhos financeiros e fiscais, mas não melhora os resultados internos.

Adriana Melo lembra que historicamente o partido do presidente nas midterms costuma perder cadeiras, o que pode levar a um bloqueio orçamentário ou shutdown. Por isso, Trump tem preferido usar medidas executivas para evitar passar por dificuldades no Congresso, adotando uma postura de “mais política, menos políticas”.

Para Lucena, os EUA estão hoje divididos, com a base de Trump ainda forte, mas sua aprovação em queda, o que dificulta a sustentação dessa política no longo prazo.

Créditos: Gazeta do Povo

Modo Noturno