Internacional
15:08

Trump concretiza primeira fase do plano de cessar-fogo em Gaza

O grupo Hamas e Israel concordaram com o primeiro passo de um plano de cessar-fogo proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representando um avanço significativo recebido com otimismo cauteloso.

A etapa inicial do acordo prevê a libertação de todos os reféns, a retirada das tropas israelenses de Gaza até uma linha previamente acordada, além da soltura de alguns prisioneiros e detidos palestinos. Trump anunciou também a criação de um “conselho de paz” para assegurar um encerramento duradouro do conflito na região.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, convocou reunião do governo para esta quinta-feira (9) a fim de ratificar o acordo. Pela legislação, após a aprovação no gabinete, há um breve prazo para contestações das liberações; superada esta fase, o governo poderá seguir com a soltura dos reféns.

No mês anterior, após diversas revisões israelenses no plano, alguns líderes árabes inicialmente hesitaram e pediram que a proposta não fosse divulgada. Apesar disso, a Casa Branca publicou o plano e os líderes árabes posteriormente aderiram.

Quando o Hamas enviou uma resposta que não endossava totalmente todos os 20 pontos do plano, Netanyahu mostrou-se reticente em considerar a resposta uma vitória.

O presidente Trump teve outra visão e sugeriu a Netanyahu que seu tom era negativo, segundo relatos. Poucas horas depois, ele classificou o grupo como “pronto para uma PAZ duradoura” e ordenou a suspensão dos bombardeios israelenses.

Ignorando preocupações que poderiam atrapalhar o avanço, Trump buscou acelerar o processo, tentando gerar um impulso que lhe tinha sido negado desde o início do mandato.

Ainda assim, permanece a dúvida se a estratégia resultará em paz perene.

No anúncio de quarta-feira (8), Trump não mencionou o desarmamento do Hamas, uma exigência do premiê israelense, nem especificou qual será o papel futuro do grupo palestino em Gaza. Ele indicou que essas questões seriam abordadas em fases posteriores.

O anúncio foi apresentado como os “primeiros passos em direção a uma Paz Forte, Duradoura e Eterna”.

O plano de 20 pontos nasceu em meio a uma crise diplomática. Os ataques israelenses a líderes do Hamas no Catar em 9 de setembro foram considerados provocativos pela Casa Branca, podendo prejudicar os avanços para o fim da guerra.

Trump, que cultivou vínculos com autoridades do Catar e que visitou o país em maio, ficou irritado por Netanyahu não o ter avisado previamente sobre os planos dos ataques.

Quando o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, avisou os catarianos, o ataque já tinha começado, segundo autoridades locais. Esta situação aumentou a frustração de Trump com Netanyahu.

Trump chegou a criticar duramente Netanyahu por telefone e suspeitou que o primeiro-ministro buscava atrapalhar os esforços de mediação.

Por outro lado, esses eventos agitaram a diplomacia regional, aumentando a pressão árabe contra Israel e dando a Trump uma nova oportunidade para avançar.

Em vez de deixar os ataques bloquearem as negociações paralisadas, Trump, Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente e negociante no Oriente Médio, combinaram esforços para transformar a crise em chance.

Combinando propostas de nações árabes, europeias e uma ideia do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair sobre o pós-guerra em Gaza, desenvolveram um plano de 21 pontos apresentado a líderes árabes numa cúpula em Nova York em 23 de setembro.

Apesar de imperfeito, o plano recebeu forte apoio de países-chave, incluindo Catar e Turquia, na esperança de acelerar o fim do conflito.

Witkoff descreveu a sessão como produtiva e afirmou que o plano equilibrava as preocupações de Israel e dos vizinhos da região, esperando anunciar avanços em breve.

Porém, para o progresso, Netanyahu precisava aprovar a proposta.

Trump mostrou confiança em convencer Netanyahu a endossar e implementar o plano, mas reconheceu que o trabalho estava só começando.

Reuniões intensas entre Witkoff, Kushner, Netanyahu e sua equipe ocorreram para ajustar o texto. Netanyahu apresentou ceticismo sobre retirada militar israelense, referências ao Estado palestino e governação da Autoridade Palestina em Gaza.

Trump, Witkoff e Kushner, aplicando lógica comercial, tentaram encontrar acordos satisfatórios para ambas as partes.

Foram feitas mudanças a pedido israelense, inclusive sobre retirada militar e desarmamento do Hamas.

Na visita de Netanyahu à Casa Branca em 29 de setembro, havia confiança em anunciar um acordo, porém negociações de última hora continuaram antes da assinatura de declaração conjunta.

Sob insistência de Trump, Netanyahu se desculpou com o líder catariano pelos ataques aéreos, e fez a ligação do Salão Oval.

O apoio público e privado dos líderes árabes veio, mas eles entenderam que as modificações limitavam a aceitação plena de Netanyahu ao plano.

Nos dias seguintes, Trump monitorava a resposta do Hamas para o plano.

Uma ligação com o emir do Catar indicou que a resposta poderia demorar, pois havia dificuldades de comunicação com as lideranças militares do Hamas e divisões internas sobre pontos do plano.

Impaciente, Trump deu ultimato para domingo (5), esperando estimular o grupo palestino.

O Hamas concordou em libertar todos os reféns restantes, embora não tenha comentado outros aspectos-chave do plano.

Trump comemorou a resposta em vídeo afirmando ser “um grande dia” e visando a concretização final.

Netanyahu mostrou-se menos entusiasmado, interpretando a resposta como uma rejeição parcial ao plano.

Ele se surpreendeu com a aceitação rápida de Trump e ainda mais quando o presidente ordenou a suspensão dos bombardeios enquanto os detalhes da libertação eram finalizados.

Trump lamentou o pessimismo de Netanyahu em ligação, embora posteriormente tenha negado e afirmado que o primeiro-ministro foi “muito positivo”.

Para Trump, a disposição do Hamas em libertar reféns foi suficiente para acreditar que o grupo estava pronto para a paz, optando por focar nos acordos que tiveram em vez dos desacordos.

A Casa Branca divulgou com entusiasmo a resposta completa do Hamas em suas redes sociais.

Após meses de progresso lento, Trump parecia decidido a avançar, mesmo com detalhes ainda em aberto, acreditando que a paz estava próxima.

Créditos: CNN Brasil

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