Internacional
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Trump critica ONU e elogia governo próprio em discurso na Assembleia Geral

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do Partido Republicano, utilizou seu discurso na 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, 23 de setembro de 2025, para criticar tanto a organização quanto o governo de seu predecessor, Joe Biden, do Partido Democrata. Durante cerca de 55 minutos, Trump destacou os feitos de sua administração e acusou a ONU de fracassar no combate a conflitos armados e à imigração ilegal.

Trump afirmou que a ONU possui grande potencial, mas não o alcança, e acusou a instituição de se especializar em “cartas com palavras vazias” e emitir diretrizes que não cumpre.

No Debate Geral da ONU, Trump foi o segundo chefe de Estado a discursar, logo após o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, seguindo a tradição da organização, onde o Brasil sempre inicia os diálogos, e os EUA, anfitriões, falam em seguida.

O presidente iniciou sua fala comentando que o teleprompter instalado no púlpito não funcionava. Ele disse não se importar em falar sem o aparelho, demonstrando improviso e satisfação por estar na sede da ONU. Também ironizou a infraestrutura da organização, mencionando que recebeu uma escada rolante quebrada e um teleprompter com defeito.

Durante o discurso, defendeu o uso de tarifas contra parceiros comerciais e exaltou acordos econômicos com Japão, Reino Unido, União Europeia e outros países. Trump afirmou que as tarifas foram aplicadas para proteger a soberania e a segurança dos EUA, especialmente contra nações que teriam se aproveitado de administrações passadas, incluindo a que ele considerou a mais corrupta e incompetente, a de Joe Biden.

Ao mencionar o Brasil, ressaltou que o país enfrenta altas taxas de importação e anunciou que se reunirá com Lula na semana seguinte para negociar. Trump expressou apreço pelo líder brasileiro e disse ter tido uma breve conversa de 20 segundos com ele antes do discurso.

O presidente norte-americano criticou práticas adotadas no Brasil, como censura, repressão, corrupção judicial e perseguição a críticos políticos, e declarou que o Brasil enfrenta tarifas significativas em resposta a essas ações.

Trump voltou a afirmar que, durante sete meses no governo, encerrou sete guerras que a ONU não conseguiu finalizar, sugerindo que mereceria um prêmio Nobel da Paz por cada uma delas. Ele declarou que nenhum outro país fez algo semelhante em tão pouco tempo e lamentou que a ONU tenha, na maioria das vezes, sequer tentado ajudar a resolver esses conflitos, alegando que muitos países nem sequer receberam ligações da organização.

Sobre os conflitos em Gaza e na Ucrânia, Trump criticou os países que reconheceram o Estado Palestino, incluindo o Brasil, associando essa postura a uma vitória para o Hamas. Defendeu que os países interessados na paz deveriam se unir para libertar todos os reféns mantidos pelo grupo extremista, incluindo os 38 corpos mencionados.

No caso da guerra na Ucrânia, afirmou que o conflito não teria ocorrido se ele estivesse no poder e que poderia ter sido resolvido em poucos dias. Acusou o governo de Joe Biden de incompetência e criticou China e Índia por continuarem a comprar óleo russo, patrocinando o conflito.

O discurso de Trump foi aplaudido três vezes: duas pelo tom irônico em relação ao teleprompter e à escada rolante da ONU, e outra quando pediu a libertação imediata dos reféns do Hamas. O Brasil não aplaudiu o discurso.

Créditos: Poder360

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