Trump culpa Noruega por não ganhar Nobel e questiona soberania da Groenlândia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que não se sente mais obrigado a “pensar puramente na paz” e atribuiu essa mudança à Noruega, que não lhe concedeu o Prêmio Nobel da Paz de 2025. A afirmação consta em uma carta enviada ao primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, obtida no dia 19 de janeiro pela agência Reuters.
Na carta, Trump relaciona sua frustração pela ausência do prêmio ao endurecimento de seu discurso, principalmente sobre a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca. O Nobel deste ano foi entregue à líder opositora venezuelana María Corina Machado, crítica do governo de Nicolás Maduro.
“Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por eu ter interrompido mais de oito guerras, já não me sinto obrigado a pensar exclusivamente na paz — embora ela continue predominando — e agora posso focar no que for bom e adequado para os Estados Unidos da América”, escreveu o presidente americano.
Trump também voltou a questionar a soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia, alegando que o território estaria sob ameaça da Rússia e da China. Ele repetiu argumentos contestados, afirmando que não existem documentos escritos que comprovem a ligação histórica entre a ilha e a Dinamarca.
“A Dinamarca não consegue proteger aquela terra da Rússia ou da China e, afinal, por que eles teriam um ‘direito de propriedade’? Não há documentos escritos; é apenas o fato de um barco ter desembarcado lá há centenas de anos”, afirmou. Ele concluiu que “o mundo não estará seguro” sem que os Estados Unidos tenham “controle completo e total” sobre a Groenlândia.
Esse posicionamento provocou uma escalada de tensões inédita entre os EUA e a Europa. Países como Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia e Holanda enviaram tropas à Groenlândia recentemente, em apoio à Dinamarca e para dissuadir as ameaças americanas.
Trump também anunciou tarifas comerciais como forma de pressão, afirmando que a partir de 1º de fevereiro de 2026 oito países europeus sofrerão uma tarifa de 10% sobre suas exportações aos EUA, percentual que poderá subir para 25% em junho, caso não haja acordo para a “compra completa e total” da Groenlândia.
No mesmo dia da carta, Trump reiterou o tema em suas redes sociais, afirmando que a Dinamarca falhou em afastar a ameaça russa na Groenlândia e que “agora é a hora” de agir. Desde o início do seu segundo mandato, há um ano, o presidente tem defendido a anexação do território, considerado estratégico para o “Domo de Ouro”, um escudo antimísseis planejado pelo seu governo.
A carta foi uma resposta a uma mensagem conjunta do primeiro-ministro da Noruega e do presidente da Finlândia, Alexander Stubb, que se posicionaram contra as tarifas americanas a aliados europeus. Em meio a isso, a União Europeia analisa uma retaliação tarifária estimada em 93 bilhões de euros.
Em resposta, o premiê norueguês reafirmou que o Comitê Norueguês do Nobel age de forma independente e que o governo não interfere na escolha dos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz.
A polêmica aumentou após María Corina Machado entregar simbolicamente sua medalha do Nobel a Trump durante encontro na Casa Branca na semana anterior. A venezuelana afirmou que o gesto era uma “retribuição” pela prisão de Nicolás Maduro em operação dos EUA. No entanto, a Fundação Nobel esclareceu que tal prática não é permitida, mantendo o prêmio oficialmente vinculado apenas ao laureado original.
A Groenlândia, rica em minerais e com localização estratégica no Ártico, é peça fundamental para sistemas antimísseis, monitoramento militar e vigilância do espaço aéreo do hemisfério norte, o que justifica o interesse crescente dos EUA pelo território.
Créditos: Estado de Minas