Trump diz que cessar-fogo em Gaza foi decisivo, mas paz ainda está distante
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou este momento um “amanhecer histórico de um novo Oriente Médio” durante sua rápida visita a Israel e ao Egito em 13 de outubro de 2025.
Em discursos feitos em Jerusalém e Sharm el-Sheikh, Trump mostrou-se satisfeito com seu poder e com a recepção dos líderes mundiais presentes.
Um diplomata presente observou que Trump parecia encarar os outros líderes como figurantes em seu próprio espetáculo.
Em Sharm el-Sheikh, ele transmitiu a mensagem de ter alcançado uma virada histórica, embora o acordo firmado sobre o cessar-fogo e a troca de reféns não represente o fim do conflito nem o começo de um processo de paz.
Trump teve papel decisivo ao pressionar o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a aceitar termos antes rejeitados, permitindo que o acordo fosse assinado. O acordo prevê o cessar-fogo e a troca de reféns por prisioneiros, mas não aborda a paz definitiva.
A próxima etapa do plano de 20 pontos de Trump envolve uma estrutura para a desmilitarização e governo da Faixa de Gaza por um comitê palestino, sob supervisão de um Conselho de Paz liderado por Trump, o que exigirá trabalho detalhado e intenso.
Apesar da assinatura do acordo, não há evidências de vontade política de Israel e Hamas para um acordo de paz verdadeiro. A guerra em Gaza chega a uma trégua, não a uma solução definitiva.
Antes do acordo, Netanyahu havia ordenado um ataque contra o Catar, um aliado dos EUA e local de negócios da família Trump, o que desagradou o presidente americano, que prioriza os interesses dos EUA na região.
Agora em Washington, diplomatas afirmam que resolver detalhes do acordo é vital, mas enfrentam o desafio do tempo curto e da fragilidade do cessar-fogo.
Rachaduras surgiram logo após a trégua, com incidentes violentos e o não cumprimento completo das obrigações pelo Hamas, como a devolução dos corpos dos reféns mortos.
Israel respondeu reduzindo a ajuda a Gaza e mantendo a passagem de Rafah fechada enquanto o Hamas não cumprir seus compromissos.
O ministro israelense Bezalel Smotrich afirmou que “somente a pressão militar traz os reféns de volta”.
As Forças de Defesa de Israel ainda ocupam 53% da Faixa de Gaza. No dia 14 de outubro, soldados israelenses mataram palestinos que se aproximavam de suas posições, segundo relatos locais.
O sistema militar israelense prevê tiros de advertência e, se ignorados, disparos letais, situação complicada para palestinos que desconhecem suas fronteiras de segurança.
O Hamas reafirma seu controle armado nas ruas de Gaza, reprimindo grupos rivais e realizando execuções extrajudiciais que demonstram sua sobrevivência após o ataque israelense.
O plano de Trump inclui a criação de uma Força Internacional de Estabilização temporária em Gaza, mas sua implantação depende da estabilidade do cessar-fogo, um cenário incerto.
O Hamas indica que pode abrir mão de armas pesadas, mas não será desarmado totalmente, mantendo sua ideologia de resistência. Netanyahu advertiu que Israel poderá agir para garantir o desarmamento, “pelo caminho fácil ou difícil”.
Trump afirmou que o acordo de Gaza encerrará gerações de conflitos entre árabes e judeus na região e levará à paz no Oriente Médio, mas especialistas alertam que o processo é complexo e exige comprometimento e sacrifícios de ambas as partes.
Presidentes anteriores também acreditaram poder promover essa paz, e Trump deverá enfrentar os mesmos desafios para transformar o cessar-fogo em uma paz duradoura.
Créditos: g1