Trump diz ter conversado produtivamente com Putin antes de encontro com Zelensky
Donald Trump afirmou ter tido uma conversa “produtiva” com Vladimir Putin horas antes de se reunir com Volodymyr Zelensky, que busca apoio dos EUA para um acordo de paz na guerra da Ucrânia. O plano, composto por 20 pontos e resultado de semanas de negociações entre Washington e Kiev, aborda questões de segurança e disputas territoriais, embora enfrente resistência da Rússia.
Zelensky, apoiado pela Europa, questiona o real compromisso de Moscou com a paz, enquanto Trump mantém cautela. A Rússia continua pressão militar e política, mas mantém diálogo com os EUA.
O presidente americano declarou no Truth Social que teve uma “conversa telefônica muito boa e produtiva” com Putin. O encontro organizado por Trump acontecerá em sua residência em Mar-a-Lago, Palm Beach, sendo o primeiro desde outubro, quando Trump recusou o pedido de Zelensky por mísseis Tomahawk.
A Ucrânia tem pressionado por essa reunião desde que os EUA retomaram esforços diplomáticos para mediar um acordo. Zelensky, em escala no Canadá, esperava negociações “muito construtivas”, embora questionasse se Moscou realmente busca a paz, citando ataques russos recentes contra civis, inclusive uma barragem na capital ucraniana.
De acordo com Zelensky, a Rússia rejeitou propostas de cessar-fogo no Natal e intensificou os ataques com mísseis e drones, demonstrando falta de seriedade diplomática.
Analistas indicam que Putin, confiante nos avanços no campo de batalha, provavelmente não aceitará a proposta e deve manter suas exigências, como a cessão de parte significativa do território ucraniano e redução das forças armadas.
Após a reunião na Flórida, líderes dos EUA e Ucrânia planejam contatos com líderes europeus. Zelensky já realizou videoconferência com dirigentes europeus, que prometem total apoio aos esforços de paz.
A Rússia acusa Ucrânia e aliados de tentar sabotar um plano anterior mediado pelos EUA para suspender combates. O Kremlin anunciou conquista de duas cidades no leste ucraniano, aumentando pressão militar.
Putin declarou que, se Kiev não quiser resolver o conflito pacificamente, enfrentará os problemas por meios militares, e acusou autoridades ucranianas de não buscarem o fim do conflito.
Líderes da União Europeia prometem apoio contínuo à Ucrânia e pressão ao Kremlin para alcançar acordo.
O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, afirmou que Moscou seguirá dialogando com negociadores americanos, mas criticou europeus por se tornarem o principal obstáculo à paz, acusando-os de prepararem-se para guerra contra a Rússia e ignorarem suas populações e os ucranianos.
Trump ainda se mantém evasivo sobre a proposta de paz, afirmando que Zelensky “não tem nada até eu aprovar”.
As negociações envolvem um plano que interromperia a guerra nas linhas atuais, possivelmente requerendo que a Ucrânia retire tropas do leste para criar zonas desmilitarizadas, indicando concessões territoriais implícitas, mas sem retirar controle de 20% da região de Donetsk que mantém, principal exigência russa.
Fim dos conflitos na Ucrânia e Gaza tem sido tema central do segundo mandato autoatribuído de Trump como “presidente da paz”, embora a guerra no Oriente Europeu tenha mostrado ser mais complexa do que esperava.
Zelensky demonstra compromisso com a iniciativa de paz, flexível para concessões e disposto a desafiar o Kremlin. Declarou estar disposto a retirar tropas de áreas de Donbas sob controle ucraniano e transformá-las em zona desmilitarizada, desde que a Rússia retire forças de área equivalente.
Zelensky também se mostrou aberto a realizar eleições gerais, primeiras desde 2019, desde que segurança seja garantida, transferindo responsabilidade à Casa Branca e Rússia.
O Kremlin evita rejeitar explicitamente a proposta para não irritar Trump, solicitando mais diálogo.
Zelensky destacou que garantias de segurança serão foco das negociações, afirmando necessidade de garantias sólidas simultâneas ao fim da guerra para evitar nova agressão russa.
A Ucrânia pede mais financiamento e armamentos, especialmente drones, de Europa e EUA.
O primeiro-ministro canadense Mark Carney anunciou US$ 1,82 bilhão em ajuda econômica para reconstrução pós-guerra.
Um recente ataque russo com centenas de drones e mísseis deixou a capital ucraniana sem energia e aquecimento em temperaturas abaixo de zero, mas a energia já foi restaurada.
A administração militar de Kherson informou que ataque russo também atingiu essa cidade, deixando áreas sem eletricidade.
Créditos: O Globo