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12:07

Trump e Zelensky se reúnem na Flórida para negociar paz na Ucrânia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky se encontrarão neste domingo (28), na Flórida, para tratar do fim do conflito entre Ucrânia e Rússia.

Na véspera da reunião, Zelensky classificou o presidente russo Vladimir Putin como “homem de guerra”, em resposta a um dos maiores ataques do ano contra Kiev e sua região metropolitana.

Zelensky comentou que os recentes ataques russos indicam que Putin não deseja a paz, afirmando: “Queremos paz. E ele é um homem de guerra.”

O bombardeio aéreo sobre Kiev e arredores durou quase 10 horas, resultando em pelo menos duas mortes e 44 feridos, incluindo duas crianças, segundo autoridades locais.

Mais de 40% dos edifícios residenciais de Kiev ficaram sem aquecimento devido aos ataques em meio ao frio intenso, conforme informou Oleksiy Kuleba, um alto funcionário do governo.

Durante todo o sábado, alarms de ataque aéreo soaram intermitentemente, mantendo os moradores em alerta.

Zelensky, em voo para os Estados Unidos, declarou que buscará garantias de segurança juridicamente vinculativas para a Ucrânia nas negociações com Trump.

Ele também reforçou o pedido por mais sistemas de defesa aérea para o país, mencionando a importância do apoio europeu diante dos ataques russos constantes.

Antes de se reunir com Trump, Zelensky fez escala no Canadá para encontro com o primeiro-ministro Mark Carney, que anunciou ajuda econômica adicional de 2,5 bilhões de dólares canadenses para a Ucrânia.

Além disso, uma fonte do governo canadense revelou que o pacote facilitará empréstimos do FMI à Ucrânia no valor de US$ 8,4 bilhões.

Em entrevista ao Politico, Trump disse esperar que a reunião com Zelensky “corra bem”, mas ressaltou que nada será aprovado sem sua autorização. Ele também mencionou a intenção de conversar com Putin em breve.

Por sua vez, a agência estatal russa TASS citou o Kremlin afirmando que, se Kiev não buscar uma resolução pacífica, a Rússia alcançará seus objetivos militares por meios militares.

Nas últimas horas, a Rússia lançou 519 drones e 40 mísseis contra a Ucrânia, segundo a Força Aérea Ucraniana.

Zelensky afirmou que, apesar das negociações russas para o fim dos combates, a violência no terreno persiste, com ataques focados na infraestrutura de energia e áreas civis de Kiev.

Ele relatou cortes de eletricidade e aquecimento em diversos bairros, com esforços para conter incêndios em andamento.

Incêndios atingiram oficinas mecânicas e prédios residenciais, e idosos foram evacuados de uma casa de repouso devido às chamas, de acordo com o Serviço de Emergência de Kiev.

Comentando os representantes russos nas negociações, Zelensky disse que, apesar da longa duração das conversas, os ataques com mísseis Kinzhals e drones Shaheds expressam a real postura de Putin.

Em resposta aos ataques, a Polônia enviou caças e fechou temporariamente dois aeroportos, conforme divulgado pela Agência Polonesa de Serviços de Navegação Aérea.

Autoridades americanas demonstraram otimismo sobre a reunião entre Zelensky e Trump após intensas negociações recentes, embora não tenham detalhado metas específicas.

Zelensky manifestou desejo de concluir um acordo para encerrar a guerra.

Não se espera a presença de líderes europeus no encontro, mas autoridades europeias indicam que já há meses os ucranianos pedem a reunião, descrevendo a relação EUA-Ucrânia como produtiva, apesar da imprevisibilidade do resultado com Trump.

Um funcionário da Otan comentou que “não existe cenário de baixo risco com Trump”.

Como preparação, Zelensky afirmou ter conversado com lideranças da Otan, Canadá, Alemanha, Finlândia, Dinamarca e Estônia para alinhar posições.

Na semana anterior, Zelensky ofereceu concessões em negociações mediadas pelos EUA com a Rússia, ainda que não se sabe se Moscou aceitará.

O plano inicial de paz de 28 pontos, discutido em novembro, recebeu críticas por favorecer a Rússia.

Após semanas de contatos entre autoridades ucranianas e americanas, a proposta foi reduzida para 20 pontos, considerado por Zelensky um “documento fundamental para o fim da guerra”.

Kiev ainda não recebeu resposta oficial do Kremlin sobre essa proposta, e Zelensky destaca que negocia diretamente com Washington, que se comunica com Moscou.

Caso a Rússia rejeite o plano, Zelensky indica a necessidade de intensificar pressões para forçar mudança de postura.

As demandas russas incluem a desistência ucraniana de ingressar na Otan e a retirada das tropas das regiões de Donetsk e Luhansk, no leste da Ucrânia.

Essas áreas formam o Donbas, onde a Rússia iniciou ações contra a Ucrânia em 2014, culminando na anexação ilegal da região em setembro de 2022.

Zelensky ofereceu concessões nas duas questões, propondo garantias de segurança que espelhem o Artigo 5 da Otan, mas sem a Ucrânia buscar a adesão plena.

Também concordou em retirar tropas de partes de Donetsk não ocupadas por russos, desde que haja retirada recíproca e desmilitarização das áreas envolvidas.

Negociadores americanos desejam transformar esses territórios em “zonas econômicas livres” após a retirada.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que ceder Donetsk poderia contribuir para o acordo.

A Constituição ucraniana prevê que mudanças territoriais dependem de referendo.

Zelensky enfatiza que o povo ucraniano deve decidir o futuro do país e que aliados têm capacidade para garantir a segurança de qualquer plebiscito.

Com informações de Christian Edwards, Svitlana Vlasova, Laura Sharman e Victoria Butenko, da CNN.

Créditos: CNN Brasil

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