Trump e Zelensky sinalizam avanços em acordo de paz para Ucrânia sem prazo definido
Volodymyr Zelensky e Donald Trump afirmaram no domingo (28) que Ucrânia e Estados Unidos concordam, de forma geral, com a maioria dos pontos discutidos para um acordo de paz no conflito da Ucrânia.
Após reunião para tratar do acordo, ambos os líderes não estabeleceram prazos, dizendo que suas equipes voltarão a se reunir nas próximas semanas.
Zelensky mencionou a possibilidade de uma futura reunião em Washington, com líderes europeus.
Segundo Trump, o controle pelo território ucraniano segue como o principal ponto de discórdia, sem solução apresentada além de novos encontros entre as equipes.
Qualquer cessar-fogo e acordo dependeriam da concordância da Rússia com os termos tratados.
Trump reconheceu que Vladimir Putin recusou um cessar-fogo que permitisse referendos na Ucrânia.
Na coletiva em Mar-a-Lago, Trump chamou o encontro de “fantástico” e declarou sentir que estão “muito perto, talvez muito perto” de um acordo.
Zelensky agradeceu, afirmando que um plano de paz com 20 pontos está “90%” fechado, ressaltando que continuam trabalhando para finalizar os detalhes, enquanto Trump estimou estar “95% concluído”.
Sobre o território, Trump classificou Donbas, região leste na linha de frente dos combates, como uma questão “não resolvida”, mas indicou proximidade de acordo.
Zelensky disse que a posição da Ucrânia sobre Donbas é “muito clara” e difere da russa.
Donbas compreende Donetsk e Lugansk; Putin apóia a anexação, alegando ligações históricas e o legado soviético, enquanto a Constituição ucraniana reconhece o território como parte do país.
Trump declarou que a Rússia ajudará na reconstrução da Ucrânia e demonstrou abertura para visitar o país após eventual acordo.
Segundo ele, há possibilidade de reunião entre EUA, Rússia e Ucrânia “no momento certo”, sugerindo que Putin deseja esse desfecho.
Nos Estados Unidos, preocupa-se especialmente com a exigência de Putin para a cessão de 25% da região leste de Donetsk, território ainda não conquistado pela Rússia, um ponto considerado “sem solução” por Trump.
O plano americano propõe transformar a área em zona econômica desmilitarizada, possível mediante retirada russa e referendo ou decisão parlamentar na Ucrânia.
Trump também comentou sobre a maior usina nuclear da Europa, em Zaporizhzhia, ocupada pela Rússia, com seis reatores.
O plano prevê que EUA, Rússia e Ucrânia administrem juntos a usina, mas Zelensky rejeita qualquer envolvimento comercial russo.
Durante a coletiva, Trump destacou que Putin “quer ver a Ucrânia prosperar” e afirmou que o presidente russo tem colaborado para reabrir a usina e não a atacou com mísseis, embora a ocupação pela Rússia tenha sido a causa da necessidade de cessar-fogo para reparos.
Essa visão de Putin ajudando a Ucrânia contrasta com os apagões frequentes na infraestrutura ucraniana devido a ataques russos, incluindo a recente falta de energia para cerca de um milhão de pessoas em Kiev.
Putin tem reiterado sua reivindicação de que “toda a Ucrânia é nossa”, reforçando as complexidades do diálogo.
Trump e Zelensky seguirão dialogando para avançar nas negociações nas próximas semanas.
Créditos: G1 Globo