Trump elogia Lula e anuncia encontro na próxima semana na ONU
Donald Trump fez elogios ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva após uma breve conversa entre eles na Assembleia Geral da ONU, afirmando que os dois tiveram “uma química excelente” e que devem se encontrar na próxima semana. O governo brasileiro confirmou o encontro.
Essa declaração marcou uma mudança no tom de Trump, que vinha mantendo uma relação tensa com o Brasil desde julho, quando impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em retaliação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. A imprensa internacional destacou a surpresa com essa mudança na postura do americano.
Diversos veículos ressaltaram que a fala positiva de Trump é incomum nos últimos meses e refletiram cautela por parte do governo brasileiro diante do anúncio. O jornal americano The Washington Post frisou que esta foi a primeira vez que Trump indicou uma aproximação positiva desde a crise diplomática entre as duas maiores populações do Hemisfério Ocidental.
Já a agência Bloomberg enfatizou que Trump classificou Lula como “um homem muito legal” e mencionou a esperança de colaboração futura entre os países, destacando os 39 segundos do encontro e a “excelente química” entre eles.
A agência argentina Clarín também noticiou o encontro, destacando que, apesar da cordialidade, o desacordo permanece devido à condenação de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal.
A emissora Al Jazeera relembrou o contexto conturbado recente das relações Brasil-EUA e destacou o abraço de Trump em Lula e o acordo para o encontro na próxima semana.
O jornal The Guardian, do Reino Unido, deu ênfase ao discurso do presidente Lula com críticas indiretas a Trump, mas surpreendeu-se com a abertura do republicano para uma possível reconciliação.
Durante seu discurso na ONU, Trump fez diversos elogios a Lula antes de anunciar o encontro. Ele também criticou a ONU, exaltou sua própria administração e reafirmou a imposição das tarifas como resposta a supostas interferências do Brasil nos direitos de cidadãos americanos e na política interna dos EUA.
Especialistas comentaram que, apesar da fala positiva, a postura do governo brasileiro permanece cautelosa. O professor Vitelio Brustolin, da UFF, disse que o anúncio é um passo importante, porém não indica que Trump será conciliador com Lula.
Este anúncio ocorre em meio a tensões adicionais, como as sanções aplicadas contra a esposa do ministro Alexandre de Moraes e declarações controversas de Trump em outras áreas durante a Assembleia Geral da ONU.
Créditos: g1