Trump exige rapidez do Hamas em acordo de paz com Israel
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado (4/10) que não aceitará atrasos nas negociações do cessar-fogo para Gaza, apresentado pelo seu governo no início da semana.
Em sua rede social Truth Social, Trump afirmou que “o Hamas precisa agir rápido, ou todas as apostas serão canceladas” e reforçou: “Não tolerarei demora, que muitos acreditam que acontecerá, nem qualquer resultado em que Gaza represente uma ameaça novamente. Vamos fazer isso, RÁPIDO. Todos serão tratados com justiça!”
O presidente também agradeceu a Israel pela interrupção temporária dos bombardeios para possibilitar a libertação dos reféns e avançar no acordo de paz.
Os comentários aconteceram após três ataques aéreos separados na manhã deste sábado em Gaza. O Ministério da Saúde, gerido pelo Hamas, reportou 66 mortes nas últimas 24 horas na região, com o total desde o início do conflito alcançando 67.074. Além disso, 265 pessoas estão hospitalizadas com ferimentos.
No mesmo dia, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, expressou sua expectativa de que todos os reféns mantidos em Gaza sejam libertados “nos próximos dias”, agradecendo a Trump por seu apoio militar. Ele também informou que enviou uma equipe de negociações ao Egito para finalizar os detalhes da libertação dos reféns, que serão desarmados.
Netanyahu afirmou que, na segunda fase, o Hamas será desarmado e Gaza desmilitarizada, independentemente do caminho ser fácil ou difícil.
Trump anunciou seu plano de paz na segunda-feira (29/09), com Netanyahu concordando com a proposta que contém 20 pontos.
Na sexta-feira (03/10), Trump deu ao Hamas até domingo (05) para aceitar o plano ou enfrentar consequências severas.
O Hamas respondeu parcialmente afirmando que aceita libertar todos os prisioneiros israelenses, vivos e mortos, conforme a fórmula de troca proposta, desde que as condições sejam cumpridas. Porém, o grupo busca renegociar assuntos como o futuro de Gaza e os direitos palestinos, e renovou seu acordo para entregar a administração da Faixa de Gaza a um corpo independente com apoio árabe e islâmico.
O comunicado do Hamas não aceita o desarmamento nem o fim da participação do grupo na governança de Gaza, pontos centrais do plano de Trump.
A viabilidade do acordo para libertação dos reféns e administração de Gaza determinará se Trump considera possível o fim da guerra.
As negociações entre Israel e Hamas devem ser retomadas no Egito em breve, segundo o correspondente da BBC no Oriente Médio, Hugo Bachega.
O Hamas enfrenta pressão para aceitar partes do plano americano, embora impasses permaneçam, como o desarmamento, cronograma de retirada israelense e garantias contra novos conflitos após a liberação dos reféns.
O plano dos EUA prevê fim imediato dos combates e libertação em até 72 horas de 20 reféns israelenses vivos e dos restos mortais dos mortos, em troca da soltura de centenas de palestinos detidos em Israel. Também inclui envio imediato de ajuda humanitária para Gaza e a exclusão do Hamas da governança.
Após o anúncio, Netanyahu reafirmou sua oposição à criação de um Estado palestino.
Na sexta-feira à noite, após comunicado do Hamas, Trump pediu no Truth Social que Israel interrompa os bombardeios para garantir a liberação segura e rápida dos reféns.
No sábado pela manhã, o Exército israelense declarou que a área ao norte de Wadi Gaza permanece uma zona de combate perigosa. O porta-voz árabe das Forças de Defesa de Israel (IDF), Avichay Adraee, alertou que as forças ainda cercam a Cidade de Gaza, considerada último reduto do Hamas, e que retornar para a área apresenta risco extremo.
O Exército ordenou a evacuação para o sul da Faixa de Gaza, mas áreas humanitárias nessa região estão superlotadas.
Também no sábado, as Forças Armadas de Israel declararam estar preparadas para a primeira fase do plano de Trump: o retorno dos reféns. As IDF destacaram que a segurança dos soldados na Faixa de Gaza é prioridade máxima e que manterão alto nível de alerta para responder rapidamente a qualquer ameaça.
Créditos: Terra