Internacional
12:06

Trump influenciou cessar-fogo e liberação de reféns, impactando Netanyahu

Na Praça dos Reféns em Tel Aviv, Israel, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é exaltado, com faixas demonstrando apoio a ele.

Para as famílias dos reféns sequestrados pelo Hamas e para as multidões que apoiam a causa, a mensagem é clara: Trump conseguiu algo que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não havia alcançado até então.

Nas últimas semanas, críticos e familiares dos reféns têm acusado Netanyahu de estender o conflito em Gaza para manter sua sobrevivência política. Seu governo buscava satisfazer aliados de extrema direita que queriam uma ofensiva ampliada no território palestino.

Em dezembro, o líder da oposição Yair Lapid afirmou que Netanyahu não queria pagar o custo político de resgatar todos os reféns.

Com o retorno de Trump à Casa Branca em 2025, o jogo mudou. Netanyahu passou a considerar Trump como o melhor aliado que Israel já teve nos EUA, reconhecendo sua influência decisiva.

Em janeiro, Trump pressionou Netanyahu a aceitar o plano de cessar-fogo promovido por Joe Biden, que previa o retorno de 30 reféns vivos e oito mortos.

Durante um conflito de 12 dias entre Israel e Irã em junho, Trump ordenou publicamente o cancelamento imediato de um ataque aéreo israelense, fazendo os aviões retornarem.

Recentemente, Trump forçou Netanyahu a pedir desculpas ao Catar por um ataque contra líderes do Hamas, demonstrando visivelmente sua influência.

Trump ainda apresentou um plano de 20 pontos para encerrar definitivamente a guerra, durante a visita de Netanyahu a Washington.

Após o Hamas indicar interesse em negociar, Trump ordenou a suspensão dos bombardeios em Gaza e considerou a organização apta para uma paz duradoura, mesmo sendo designada como terrorista pelos EUA.

Ele enviou representantes ao Cairo para garantir um acordo que prevê a libertação dos 48 reféns restantes na primeira fase.

Netanyahu nega ter cedido às pressões americanas, apresentando o acordo como um marco importante de coordenação estratégica em uma guerra que já durava dois anos, com mais de 67 mil mortes em Gaza.

Ao contrário das posições anteriores do Hamas, o acordo mantém presença das Forças de Defesa de Israel em metade do território, o que Netanyahu considera uma vitória, pois assegura a devolução dos reféns e mantém a força israelense na região.

No entanto, o acordo não garante uma “vitória total”, pois deixa o Hamas armado e mantém indefinida a administração de Gaza no pós-guerra.

Fontes israelenses garantem que Netanyahu ajudou a elaborar o plano de Trump, que previa que, após o ataque ao Irã, o conflito em Gaza deveria chegar ao fim.

O acordo é intencionalmente ambíguo quanto à retirada das forças israelenses, condicionada ao desarmamento do Hamas, o que permite a Israel retomar os combates se julgar necessário.

Segundo o jornalista Nahum Barnea, o acordo apresenta falhas e carece de clareza nas diretrizes para sua implementação.

Essa ambiguidade mantém a coalizão de Netanyahu intacta, com ministros de direita que permanecem no governo, apesar do risco de derrubada, confiando nas garantias de que a guerra ainda pode continuar.

Politicamente, Netanyahu evita ir para as próximas eleições com os reféns ainda em cativeiro, pois isso seria visto como um fracasso.

A principal responsabilidade que Netanyahu enfrentará nas eleições será o ataque de 7 de outubro, que resultou em 1.200 mortos e centenas de sequestrados.

Há dois anos, Netanyahu parecia politicamente acabado devido ao fracasso nesta crise, porém Trump o ajudou a reconstruir sua narrativa.

O fim da guerra aliviará para Netanyahu as pressões diárias relacionadas às baixas militares, à situação dos reservistas, ao isolamento internacional e aos prejuízos econômicos.

Pesquisas indicam que entre 60% e 70% dos israelenses apoiam o cessar-fogo.

Trump relatou em entrevista que Netanyahu está surpreso com o apoio popular atual e que o povo está “amando Israel novamente”.

A campanha de Netanyahu já se articula em torno do fim da guerra, do retorno dos reféns, da degradação dos aliados do Irã e da parceria com Trump para ampliar a normalização regional.

Netanyahu pretende usar a popularidade de Trump em Israel em sua campanha eleitoral e chegou a convidar Jared Kushner e Steve Witkoff para a reunião do gabinete que aprovou o cessar-fogo.

Trump deve participar nas próximas comemorações em Israel, um evento que Netanyahu planeja explorar politicamente.

Embora Netanyahu tenha sido pressionado a aceitar o acordo, ele tenta transformar Trump no herói das negociações, usando isso para impulsionar sua imagem.

Essa estratégia também pode servir para desviar atenções do julgamento por corrupção que Netanyahu enfrenta, o qual Trump já pediu para arquivar.

O efeito do apoio de Trump sobre o legado político de Netanyahu será um grande teste para os eleitores israelenses.

Créditos: CNN Brasil

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