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07:05

Trump lamenta prisão de Bolsonaro e destaca violações e riscos apontados por Moraes

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (22) que é “uma pena” que o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL) tenha sido preso.

Bolsonaro foi detido em sua residência na manhã deste sábado e conduzido à sede da Polícia Federal em Brasília após uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou com a prisão.

A ordem emitida pelo ministro destacou riscos à ordem pública e indícios de que Bolsonaro estaria planejando uma fuga.

Segundo Moraes, o Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal informou uma violação da tornozeleira eletrônica de Bolsonaro à 0h08.

A equipe responsável pela segurança de Bolsonaro foi imediatamente acionada pela Secretaria de Administração Penitenciária do governo federal, que responde pelo aparelho. A escolta confirmou a violação e fez a substituição do equipamento às 1h09.

O relatório da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal indicou que a tornozeleira do ex-presidente apresentava “sinais claros e importantes de avaria”, com marcas de queimaduras em toda a sua circunferência, especialmente no local de encaixe e fechamento.

Ao ser questionado sobre o método utilizado para violar a tornozeleira, Bolsonaro admitiu ter usado um ferro de solda e relatou ter começado a mexer no dispositivo no fim da tarde de sexta-feira.

Além disso, o ministro considerou que uma vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em frente à residência do ex-presidente poderia gerar tumultos e facilitar uma fuga.

Moraes afirmou que a convocação “configura altíssimo risco para a efetividade da prisão domiciliar decretada e põe em risco a ordem pública e a efetividade da lei penal”.

Embora a vigília tenha sido apresentada como um ato em defesa da saúde de Bolsonaro, o ministro entendeu que a ação repete o modus operandi da organização criminosa liderada pelo réu, que usava manifestações para obter vantagens pessoais e causar desordem.

A decisão ainda cita a proximidade da casa de Bolsonaro com o Setor de Embaixadas Sul, em Brasília, que fica a cerca de 13 km, uma distância percorrida em aproximadamente 15 minutos de carro até a embaixada dos Estados Unidos.

Em agosto, a Polícia Federal encontrou um arquivo editável, sem data e assinatura, solicitado asilo político para Bolsonaro, em regime de urgência. Segundo a PF, o documento indicava que Bolsonaro planejava fugir do país desde fevereiro de 2024, para evitar aplicação da lei penal.

Trump se posicionou diversas vezes durante o processo judicial contra Bolsonaro. Em seu perfil no Truth Social, publicou mensagens indicando que o julgamento seria uma “caça às bruxas” e pediu que o ex-presidente fosse deixado “em paz”.

O presidente americano também mencionou o julgamento ao oficializar o tarifaço ao Brasil em julho, afirmando que Bolsonaro e seus apoiadores sofrem “graves violações dos direitos humanos que minaram o Estado de Direito no Brasil”. Ele reiterou que o governo brasileiro tem perseguido, intimidado, assediado e censurado cidadãos.

Desde então, Trump não publicou novos comentários sobre o caso. Em outubro, durante reunião com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar do tarifaço, Lula informou que o julgamento seguiu o processo legal. A informação foi divulgada pelo chanceler Mauro Vieira.

Nas últimas semanas, a Casa Branca emitiu novas ordens que reduziram a tarifa imposta pelos EUA a diversos produtos brasileiros.

Créditos: g1

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