Trump minimiza risco de guerra com Venezuela, mas prevê fim de Maduro
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diminuiu a possibilidade de um conflito militar dos EUA com a Venezuela, mas indicou que o mandato de Nicolás Maduro como presidente do país está próximo do fim.
Questionado no programa 60 Minutes, da CBS, sobre a hipótese de guerra, Trump respondeu: “Duvido. Não acho que vá acontecer. Mas eles têm nos tratado muito mal.”
Nos últimos dois meses, os Estados Unidos aumentaram sua presença militar no Mar do Caribe, enviando navios de guerra, caças, bombardeiros, fuzileiros navais, drones e aviões espiões, configurando o maior destaque militar na região em décadas.
O governo americano tem atacado barcos suspeitos de tráfico de drogas no Caribe, justificando essas ações como necessárias para conter o fluxo de entorpecentes para os EUA.
Sobre o futuro de Maduro, Trump afirmou acreditar que seus dias no poder estão contando: “Eu diria que sim, acho que sim”, declarou.
Ao comentar as críticas de que essas ações seriam uma tentativa de derrubar Maduro, Trump negou e afirmou que as medidas envolvem “muitas coisas” e que o foco não é apenas o narcotráfico.
Desde setembro, ataques dos EUA já causaram pelo menos 64 mortes no Caribe e no Pacífico Leste, conforme relatório da CBS News.
Em sua fala desde Mar-a-Lago, na Flórida, Trump disse que cada embarcação abatida se relaciona à morte de 25 mil pessoas devido às drogas, além de destruir famílias nos Estados Unidos.
Questionado sobre possível ofensiva em terra, Trump não descartou: “Eu não diria que faria isso… Não vou dizer o que vou fazer com a Venezuela, se vou fazer ou não.”
Os bombardeiros B-52 realizam demonstrações de ataque aéreo perto da costa venezuelana. A CIA foi autorizada a operar na Venezuela, e o maior porta-aviões do mundo está sendo enviado à região.
Maduro acusa os EUA de inventar uma nova guerra, enquanto o presidente colombiano Gustavo Petro diz que os ataques são usados pelos EUA para dominar a América Latina.
Trump ressaltou que seu governo não permitirá a entrada no país de pessoas de diversas partes do mundo, citando especificamente que a Venezuela tem sido um problema devido a gangues, como o Tren de Aragua, apontado por ele como “a gangue mais violenta do mundo”.
Sobre testes nucleares, Trump indicou que pretende que os EUA retomem esses testes para acompanhar outras potências, como Rússia e China. Questionado se os EUA detonariam uma arma nuclear pela primeira vez em mais de 30 anos, respondeu afirmativamente.
No entanto, o Secretário de Energia, Chris Wright, afirmou à Fox News que os Estados Unidos não planejam realizar explosões nucleares.
Na entrevista, Trump também abordou a paralisação governamental dos EUA, que já dura mais de um mês e impacta milhões de americanos. Ele culpou os democratas, a quem chamou de “lunáticos desvairados” que teriam perdido o rumo, mas disse acreditar que eles acabarão votando pelo fim da paralisação.
Se isso não ocorrer, Trump afirmou: “o problema é deles”.
Essa foi a primeira entrevista de Trump à CBS desde que processou a Paramount, controladora da emissora, por uma entrevista presidencial de 2024 com Kamala Harris, alegando edição sesgada a favor dos democratas.
A Paramount pagou US$ 16 milhões para encerrar o processo, valor destinado à futura biblioteca presidencial de Trump, sem pedido de desculpas.
A última participação de Trump no 60 Minutes foi em 2020, quando abandonou uma entrevista por considerar as perguntas tendenciosas, e ele não aceitou dar entrevistas ao programa durante a eleição de 2024.
Créditos: BBC