Internacional
15:08

Trump Pressiona por Cessar-fogo e Troca de Reféns em Gaza

Durante meses, as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre encerrar a guerra que já dura dois anos em Gaza pareceram vazias. Embora tenha repetidamente condenado o Hamas e avisado sobre uma “grande represália” caso os reféns mantidos no território não fossem libertados, na prática, ele permitia que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prosseguisse com os ataques intensos ao enclave palestino.

Agora, Trump parece disposto a usar a influência dos EUA para forçar Israel e Hamas a concordarem com os termos de um cessar-fogo e à libertação dos reféns. Essa é a fase inicial de seu plano de 20 pontos, que prevê as condições para a retirada gradual de Israel de Gaza, uma nova estrutura de governo para a região e um grande trabalho de reconstrução.

Após a aceitação do acordo de troca de reféns na quarta-feira, os prisioneiros israelenses detidos em condições extremamente precárias por dois anos devem ser libertados nos próximos dias, encerrando seu sofrimento e o de suas famílias. Com isso, espera-se que os combates cessem e que a ajuda humanitária comece a chegar à Gaza devastada, aliviando uma população que suportou sofrimentos intensos.

Se mantido, o acordo pode se tornar um sucesso significativo de política externa e amenizar as críticas às ambições de Trump de ser um candidato digno do Prêmio Nobel da Paz.

Porém, o desafio real reside em garantir que a troca de reféns seja apenas o primeiro passo para um acordo duradouro em Gaza, pois questões mais complexas ainda precisam ser resolvidas.

Trump merece reconhecimento por levar Netanyahu a aceitar um acordo com o Hamas, um grupo que o primeiro-ministro prometeu “destruir totalmente” desde o ataque de outubro de 2023 que matou 1.200 pessoas e desencadeou o conflito.

No entanto, o governo israelense de extrema direita enfatizou que aderiu apenas à primeira fase, que inclui a libertação imediata dos 48 reféns restantes – acredita-se que cerca de 20 ainda estejam vivos – enquanto mantém suas forças em Gaza.

Netanyahu ainda não se comprometeu com a segunda fase do acordo, que prevê a administração de Gaza por um comitê palestino tecnocrático supervisionado internacionalmente – com Trump à frente – e a presença de uma força de estabilização estrangeira.

Ele mantém que Israel conservará o controle total da segurança na Faixa de Gaza e rejeita qualquer aumento do papel da Autoridade Palestina na região, apesar da pressão de países árabes e muçulmanos.

Além disso, Netanyahu enfrentará oposição dentro de sua coalizão, composta por políticos de direita que já manifestaram desacordo com o acordo, embora ainda não ameacem derrubar o governo.

Um obstáculo imediato será negociar quais prisioneiros palestinos serão libertados em troca dos reféns, especialmente entre os que cumprem prisão perpétua.

Quanto ao Hamas, apesar da sua capacidade militar reduzida e perdas de líderes, e da pressão das nações árabes que apoiaram o acordo, não aceitou a desarmamento, um ponto central da segunda fase do plano de Trump, que implicaria sua rendição militar.

O grupo também deseja negociar prazos indefinidos para a retirada israelense, que Netanyahu já estendeu a seu favor, segundo um diplomata.

A população de Gaza teme que o acordo fracasse, repetindo o episódio anterior em que Netanyahu quebrou um cessar-fogo e troca de reféns intermediados pelos EUA em março. Naquele momento, dezenas de reféns ainda estavam presos e os mortos palestinos somavam quase 50 mil, número que hoje ultrapassa 67 mil, segundo fontes palestinas. A porção norte de Gaza também enfrenta fome causada pela guerra, alertam especialistas da ONU.

O fato de Israel e Hamas terem aceitado ao menos a primeira fase do plano, destaca a diferença que um presidente americano engajado pode fazer pressionando ambas as partes. Porém, este avanço demorou muito.

Trump permaneceu silencioso quando Netanyahu encerrou o cessar-fogo em março, retomando ofensivas e impondo um cerco de 11 semanas a Gaza, que causou fome no norte da região.

O governo Joe Biden foi igualmente cauteloso em usar a influência americana para pressionar Israel.

O grande teste agora é saber se Trump ficará satisfeito apenas com a libertação dos reféns ou se continuará na liderança do processo, pressionando Netanyahu e Hamas a cumprirem todo o acordo.

Se esta esperança se mostrar falsa, será uma tragédia para os palestinos, um revés para um Israel isolado e um golpe nas perspectivas de paz no Oriente Médio.

Créditos: Valor

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