Trump propõe Conselho de Paz para Gaza e gera polêmica com Israel
As primeiras semanas de 2024 têm sido de muitas incertezas com Donald Trump e reformas inesperadas em vários temas internacionais. Entre elas, uma proposta fundamental tem ganhado destaque: a criação de um Conselho de Paz para coordenar a fase de desarticulação do conflito em Gaza. Esse conselho incluiria um governo tecnocrático composto por palestinos ou americanos de origem palestina, com um perfil apolítico.
O projeto possui metas ambiciosas, como pacificar a região, desarmar o Hamas, promover a retirada das tropas israelenses das áreas ainda sob controle militar e, além disso, reconstruir Gaza numa visão totalmente inovadora.
Apesar da ideia parecer extravagante, o risco de sucesso é talvez o maior dos últimos tempos no Oriente Médio, desde que haja um envolvimento ativo de diversos países convidados a integrar o Conselho, que terão voz na busca por uma solução para o conflito que por décadas desafia governantes.
Por que Israel se opõe? Entre os convidados estão o Catar e a Turquia, países que apoiam o Hamas. A dúvida é se aqueles que financiam o terrorismo podem integrar um projeto para desarme dessa mesma organização. Apenas Trump poderia imaginar essa possibilidade, acompanhada da sugestão de que quem quiser participar permanentemente do Conselho de Paz contribua com um bilhão de dólares para a reconstrução de Gaza. A questão é se esses países apoiadores do Hamas estariam realmente dispostos a colaborar para a paz e não para o problema.
Israel tem motivos para rejeitar a iniciativa, mas um representante do governo americano respondeu firmemente a Netanyahu, afirmando ao site Axios que “Gaza é nosso show, não deles”.
Trump também convidou Israel para participar do Conselho. A reação do país permanece incerta, assim como a de outros convidados como o governo Lula, que até agora não se manifestou, talvez pela surpresa diante do convite de um presidente que o Brasil rejeita.
O Conselho reunirá uma ampla gama de países, incluindo além do Catar e Turquia, Albânia, Argentina, Austrália, Canadá, Casaquistão, Chipre, Egito, França, Hungria, Índia, Jordânia, Marrocos, Paraguai, Polônia, Reino Unido, Vietnã e, recentemente, Rússia. Os convites continuam, apesar de certa resistência.
Quem ficar fora do processo perderá o direito de reclamar depois.
A presidência do conselho ficará com Trump. Entre seus membros estarão o secretário de Estado Marco Rubio; o emissário especial para negociações de paz e parceiro de golfe Steve Witkoff; o genro Jared Kushner, tido como negociador da trégua em Gaza; e dois bilionários judeus, Yakir Gabay, israelense radicado em Chipre, e o americano Mark Rowan, dono do banco de investimentos Apollo Global Management.
O papel executivo caberá ao ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, figura controversa por seu apoio à invasão do Iraque e sua relação com os Emirados Árabes Unidos, mas que pode buscar redeemar sua reputação através desse esforço.
O conselho tecnocrático palestino será liderado por Ali Shaath, engenheiro com breve atuação na Autoridade Palestina, que assume um grande risco ao estar na mira dos fundamentalistas mais radicais.
Atualmente, não há outras iniciativas sérias para avançar na desaceleração do conflito em Gaza e nas disputas entre palestinos e israelenses.
Apesar de parecer uma aposta arriscada, a proposta de Trump proporciona uma esperança rara na região.
Questões essenciais permanecem: como reconstruir a Faixa de Gaza, desarmar o extremismo islâmico e conduzir Israel a aceitar gradativamente a existência de um estado palestino desmilitarizado, coexistindo com a nação judaica? E como evitar o ciclo constante de ataques e guerras que vêm desde a criação de Israel em 1948?
O processo será longo e complexo, mas Trump parece disposto a tentar. A resolução de vinte pontos para Gaza aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU oferece legitimidade ao plano.
As dificuldades imediatas são evidentes: o Hamas só aceitaria entregar armas se Israel se retirar das áreas ocupadas em Gaza, enquanto Israel exige o desarmamento do Hamas como condição para a retirada.
Diante desse contexto extremamente complicado, não há outro momento melhor para arriscar uma iniciativa como essa.
No encontro de Davos, programado para começar em breve, já circula a notícia de que Trump pretende formalizar a constituição desse Conselho de Paz. Enquanto temas como a Groenlândia e sobretaxas dominam os debates, não se deve perder a oportunidade de tentar promover a paz no Oriente Médio.
Créditos: Veja