UE aprova acordo comercial com Mercosul, ampliando livre comércio global
A União Europeia aprovou provisoriamente o acordo comercial com o Mercosul na sexta-feira (9/1), um evento que chamou atenção da imprensa internacional.
Esse tratado deve formar a maior área de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 700 milhões de pessoas. Foi classificado como um marco econômico e geopolítico, embora também tenha provocado tensões e protestos em vários países.
O jornal americano The New York Times destacou o “forte contraste” entre o acordo e a postura agressiva intensificada do governo Donald Trump na última semana, período em que houve ações contra a Venezuela, incluindo a prisão do então presidente Nicolás Maduro, além de ameaças à Colômbia, Cuba e Groenlândia.
Segundo o periódico, “enquanto a Europa trabalhava para estender uma era de colaboração econômica, os Estados Unidos, seu antigo aliado próximo, demonstraram preferência pela coerção em vez da cooperação”. A abordagem de Trump e sua política de guerras comerciais teriam, em parte, facilitado a concretização do acordo europeu.
O site Politico.eu qualificou o tratado como uma “grande vitória geopolítica”, considerando o avanço chinês na América Latina e o aumento das tarifas norte-americanas. Observou ainda que o acordo apressa a busca por maior previsibilidade tanto na Europa quanto em países como o Brasil.
O espanhol El País descreveu o tratado como “joia da coroa” da política europeia, ressaltando sua importância para fortalecer a credibilidade da União Europeia como agente internacional.
Também da Espanha, o El Mundo afirmou que o pacto representa um “importante impulso” para líderes europeus como a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, que enfrentou dificuldades nos últimos meses, bem como para o chanceler alemão Friedrich Merz e o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, principais apoiadores do acordo.
No entanto, o tratado enfrenta controvérsias internas na Europa. O Irish Times destacou a preocupação de agricultores, especialmente do setor de carnes, sobre o impacto da entrada de carne mais barata do Brasil e Argentina, que talvez não siga os rigorosos padrões ambientais exigidos.
O britânico The Guardian ressaltou o aumento das tensões com agricultores e ambientalistas em países como França, Polônia, Grécia e Bélgica.
Na América Latina, o acordo também repercutiu. O jornal argentino Clarín considerou o tratado um “sinal positivo para a Argentina estrategicamente”, avaliando que haverá eliminação de tarifas para vários setores produtivos, regras mais claras e uma plataforma para integração no mercado global.
O veículo uruguaio El Observador qualificou a aprovação como “histórica”, destacando as reações entusiasmadas de políticos uruguaios nas redes sociais, que a descreveram como “extraordinária” e “fabulosa”.
Créditos: BBC News Brasil