União Europeia e Mercosul assinam acordo comercial histórico neste sábado
A União Europeia e o Mercosul firmam neste sábado (17) um acordo comercial destinado a integrar mercados, reduzir tarifas e ampliar o fluxo de bens e investimentos entre a América do Sul e a zona do euro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será o único chefe de Estado sul-americano ausente na cerimônia de assinatura.
A assinatura não representa o fim do processo: para que o tratado entre em vigor, ele ainda deve ser ratificado pelos parlamentos dos países envolvidos.
O acordo só valerá plenamente após a conclusão das aprovações internas em ambos os blocos.
Negociado por mais de 25 anos, o tratado prevê a redução gradual de tarifas, regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
Após mais de duas décadas de negociações, a União Europeia e o Mercosul dão um passo decisivo rumo à criação da maior zona de livre comércio do mundo. A assinatura ocorre no Paraguai, que exerce a presidência rotativa do Mercosul.
Além da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, participam os presidentes da Argentina, do Uruguai, da Bolívia e do Paraguai.
Lula recebeu Ursula von der Leyen no Rio de Janeiro na véspera, classificando a demora para concluir o acordo como “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo”.
Apesar da assinatura, o processo segue: o tratado precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e, dependendo da interpretação jurídica, partes do acordo também poderão necessitar da aprovação dos parlamentos nacionais dos países-membros da UE.
Do lado do Mercosul, o acordo terá que passar pelos Congressos nacionais do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Enquanto isso, União Europeia e Mercosul podem discutir a aplicação provisória de partes do tratado, especialmente aquelas relacionadas à redução de tarifas, antecipando alguns efeitos econômicos.
O tratado criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, ligando dois blocos com mais de 700 milhões de pessoas.
No entanto, a proposta divide opiniões na União Europeia. Alemanha e Espanha apoiam o acordo por enxergarem oportunidades de ampliar exportações, diminuir a dependência da China e garantir acesso a minerais estratégicos.
Já a França, com o apoio de Polônia, Irlanda e Áustria, se opõe por receios de prejuízo ao setor agrícola diante da concorrência de produtos sul-americanos mais baratos. Agricultores e ambientalistas também criticam o acordo.
O texto busca equilibrar esses interesses, incluindo salvaguardas para a agricultura europeia e exigências ambientais mais rigorosas.
Para o Mercosul, o Brasil tem papel central e precisa demonstrar avanços em sustentabilidade e controle ambiental para facilitar a ratificação e ampliar o acesso ao mercado europeu.
A próxima etapa inclui a ratificação formal do acordo, que só valerá integralmente após todas as aprovações internas dos dois blocos serem concluídas.
Créditos: g1