Venezuelanos em SP temem pela família após captura de Maduro pelos EUA
Dois venezuelanos residentes em São Paulo, Gustavo Perez, engenheiro, e Diana Hung, arquiteta, revelaram neste domingo (4) sentimentos de medo e incerteza sobre a situação das famílias que permanecem na Venezuela após o ataque dos Estados Unidos no dia anterior, que resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro.
São Paulo abriga atualmente mais de 45 mil imigrantes venezuelanos, sendo o sexto maior contingente migratório entre os estados do Brasil. A GloboNews conversou com dois desses imigrantes.
Gustavo Perez, natural de Valência, próxima a Caracas, chegou ao Brasil em 2018 por Roraima após uma longa travessia de quatro dias de carro. Ele afirmou que ao cruzar a fronteira sentiu uma grande liberdade. Gustavo deixou a Venezuela por considerar a situação do país “horrorosa”, destacando o declínio na qualidade de vida, violações de direitos humanos e abusos praticados pela ditadura local.
Segundo Gustavo, apesar da riqueza petrolífera da Venezuela, o povo não recebe benefícios diretos, apenas a ditadura se aproveita dessa riqueza. Ele ressaltou que a atual intervenção dos EUA torna a situação na Venezuela urgente, devido à existência de presos políticos e centros de tortura no país.
Gustavo vê esperança para o futuro da Venezuela com o fim do governo Maduro, mencionando a necessidade urgente de restaurar a democracia, mas sem comemorar a violência empregada.
Diana Hung, que também vive em São Paulo, adiou uma viagem planejada para a Venezuela entre o Natal e o Ano Novo devido às tensões causadas pela intervenção dos Estados Unidos. Ela explicou que poderia ter ficado detida por mais uma semana caso tivesse viajado, pois o desfecho da situação era incerto.
Diana deixou a Venezuela em busca de melhores oportunidades e afirmou que sua saída ocorreu em um momento oportuno para melhorar suas condições de vida.
Na madrugada de sábado (3), o exército dos EUA atacou Caracas de surpresa, capturando o presidente Maduro, que foi levado por helicóptero a um navio da Marinha no Caribe e desembarcou em um centro de detenção em Nova York na noite do mesmo dia.
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou em coletiva que Washington comandará a Venezuela até a transição do governo por meio de um grupo que será formado.
A procuradora-geral americana, Pam Bondi, confirmou que Maduro enfrentará julgamento por narcoterrorismo em Nova York.
No domingo (4), Trump alertou que Delcy Rodríguez, reconhecida como presidente interina pela Suprema Corte venezuelana, poderá sofrer consequências ainda mais severas que Maduro se não cooperar com os EUA.
A captura de Maduro e sua transferência para os Estados Unidos marcam um momento crítico na crise venezuelana, com os americanos assumindo papel ativo nessa transição de poder.
A população civil, incluindo os imigrantes, enfrenta crescente ansiedade e vulnerabilidade quanto ao futuro político e à segurança de seus parentes na Venezuela.
Especialistas e ativistas destacam o risco de violações de direitos humanos durante esta fase de instabilidade e sugerem que as experiências dos exilados sejam consideradas para entender melhor a situação atual.
Créditos: GloboNews