Vida dos irmãos Toffoli em Marília contrasta com luxo de resort no Paraná
Ao toque do interfone em uma casa situada no Jardim Universitário, bairro de Marília, interior de São Paulo, a cortina é fechada e ninguém responde à porta. A residência não reflete o estilo de vida de um proprietário de resort de alto padrão. Na garagem, três carros – um BYD, um Toyota Etios e um Volkswagen Taos – somam valor estimado em cerca de R$ 400 mil.
Esta é a casa de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal, José Antonio Dias Toffoli. O imóvel também serve como sede da Maridt Participações, empresa que teve participação no resort Tayayá e na DGEP Empreendimentos em Ribeirão Claro, Paraná. Em duas etapas, a Maridt vendeu sua parte por R$ 6,7 milhões.
Recentemente, Cássia, esposa de José Eugênio, afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que desconhecia que a casa era sede da empresa ou que tivesse ligação com o resort.
Funcionários do empreendimento confirmaram à Folha que a família Toffoli ainda é vista como proprietária, junto com Paulo Humberto Barbosa, atual dono e advogado da JBS, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
O resort inclui piscinas aquecidas, caiaques, quadras de beach tennis e cassino, e o ministro Dias Toffoli costuma chegar ao local de helicóptero.
Empresas ligadas a parentes do ministro tiveram como sócio o fundo Arleen, associado ao Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central por fraudes financeiras. A atuação do ministro, relator do caso no STF, está sendo questionada, e ele enfrenta pressões para deixar o cargo.
A reportagem tentou contato diversas vezes com José Eugênio na residência, sem sucesso. A família tem evitado aparições públicas em Marília, onde são influentes, e o nome da família está na denominação de uma avenida da cidade, localizada próxima a áreas rurais.
José Carlos Dias Toffoli, conhecido como padre Carlão e também sócio da Maridt, desligou o interfone após mencionar que a empresa já havia comunicado encerramento das atividades relacionadas ao resort.
Ele, que se afastou da paróquia Sagrada Família para se dedicar à sociedade, agora possui o título de “uso de ordens”, podendo celebrar missas apenas quando convidado ou quando não há outro religioso disponível.
O padre tem sido pouco visto recentemente, e sua antiga residência em Marília está fechada. Ele reside mais frequentemente em uma chácara, que possui um chalé e área verde, alugada pelo irmão do ministro. Desde seu afastamento em 2021, ele não recebe mais remuneração anual equivalente a R$ 2.467 segundo o Cadastro Geral de Empregos.
José Eugênio informou em nota que a saída da Maridt das operações se deu em duas fases: a venda parcial para o fundo Arleen em setembro de 2021 e a venda total para a PHD Holding em fevereiro de 2025, estando todas as informações declaradas à Receita Federal.
Registros da Junta Comercial do Paraná indicam que a venda ao fundo Arleen ocorreu em setembro de 2021, por R$ 618,9 mil, e a venda final para a PHD em fevereiro de 2025, por R$ 698 mil.
A DGEP Empreendimentos teve a Maridt como sócia no quadro do Tayayá. Parte da sociedade foi vendida ao fundo Arleen por R$ 3,1 milhões em setembro de 2021 e o restante vendido à PHD por R$ 3,5 milhões em fevereiro de 2025.
José Eugênio não atendeu tentativas de contato feitas pela Folha.
Mario Umberto Degani, primo do ministro Toffoli e integrante do grupo Tayayá, reside em condomínio fechado em Santa Gertrudes, com imóveis avaliados em torno de R$ 2,5 milhões. Ele fez parte do bloco fundador do empreendimento desde 1999 e vendeu sua participação entre julho e setembro de 2025 por R$ 12 milhões. A reportagem não conseguiu contato com ele.
Entre os nove irmãos da família Toffoli, um deles, José Ticiano Toffoli, foi prefeito de Marília entre 2011 e 2012, sem registro de envolvimento com o resort. Ele também não respondeu às tentativas de contato.
Créditos: Folha de S.Paulo