Internacional
12:07

Violência no Irã diminui força dos protestos com mais de 3 mil mortos

Os protestos no Irã mostram sinais de enfraquecimento após a ação violenta do governo para conter os manifestantes.

Até a sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, organizações de direitos humanos informaram que o número de mortos ultrapassa 3 mil, além de milhares de pessoas detidas.

As manifestações tiveram início em 28 de dezembro, quando milhares marcharam nas principais cidades do país contrárias ao regime do aiatolá Ali Khamenei, motivadas também pela insatisfação com a situação econômica.

O governo iraniano prometeu abrir um canal de diálogo com representantes da sociedade para tratar das demandas da população, mas, apesar de reconhecer a legitimidade dos protestos, optou pelo uso da violência para reprimi-los.

Com o bloqueio do acesso à internet, a comunicação com o exterior tornou-se limitada. As poucas imagens divulgadas mostravam ruas cheias, prédios em chamas e relatos de perseguições.

Testemunhas ouvidas pela BBC relataram ataques inesperados da Guarda Revolucionária a manifestantes em parques e vielas de Fardis, região próxima a Teerã, entre 8 e 9 de janeiro.

Outros relatos indicam que forças de segurança disparavam contra civis a partir de pontos elevados em Teerã e Karaj, com ordens de fogo direcionadas a quem gritasse palavras de ordem.

Na sexta-feira, uma residente em Teerã contou à Reuters que sua filha, de 15 anos, morreu após participar de uma manifestação próxima à residência da família. A jovem foi seguida pelas forças Basij, braço das forças de segurança usado para conter os protestos.

O cientista político Demétrio Magnoli afirmou no podcast O Assunto que esta onda de protestos é distinta de mobilizações anteriores no Irã, expondo um regime isolado e disposto a usar violência extrema para manter o poder.

As manifestações começaram com uma greve dos comerciantes, expandindo-se rapidamente para outras cidades, principalmente com apoio juvenil e estudantil.

Em postagens nas redes sociais, vendedores manifestaram o impacto dos preços elevados nas vendas, enquanto a Associated Press relembrou incêndios em bancos e repartições públicas durante os protestos.

Os métodos de repressão incluíram armas de fogo, bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes.

Mehmet Önder, cidadão turco presente em Teerã durante o início dos protestos, contou que permaneceu escondido em um hotel e depois na casa de um cliente até conseguir deixar o país.

Manifestantes ouvidos pelo The New York Times atribuíram a força das manifestações ao cansaço acumulado desde a Revolução Islâmica de 1979, ressaltando o regime teocrático liderado pelo líder supremo.

Empresários do setor tecnológico expressaram pessimismo com a economia iraniana, agravada após a guerra entre Irã e Israel em junho de 2024.

O governo adotou uma postura agressiva na mídia estatal, classificando manifestantes como “terroristas” e acusando Israel e Estados Unidos de instigar a população para provocar uma intervenção militar.

Em discursos oficiais, membros do regime chamaram os manifestantes de agentes estrangeiros e prometeram uma “vingança dura”, enquanto o líder supremo Ali Khamenei afirmou que o regime não recuará diante da destruição promovida.

Créditos: g1

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