Política
10:49

Voto de Fux no julgamento de Bolsonaro tem repercussão internacional

O voto do ministro do STF Luiz Fux no julgamento de Jair Bolsonaro ganhou destaque internacional ao divergir dos demais ministros e enfatizar fragilidades nas provas contra o ex-presidente na trama golpista.

Fux rejeitou a hipótese de participação de Bolsonaro em golpe de Estado e criticou a competência da Primeira Turma do STF para julgar o caso. Veículos internacionais como Reuters e Al Jazeera ressaltaram o rompimento de Fux com seus colegas e o impacto das divergências no julgamento, que pode resultar na condenação de Bolsonaro.

A Reuters mencionou que Fux “rompeu” com os pares, apoiou argumentos da defesa para que o julgamento ocorra no plenário do STF e afirmou que a decisão poderá ser apelada. A agência também avalia que uma condenação ainda é provável, mas um longo processo de recursos pode aproximar os procedimentos das eleições de 2026.

Destacou ainda que a divergência intensifica a tensão num caso muito polarizado, citando os protestos de apoiadores de Bolsonaro após os atos de 7 de Setembro.

A Reuters lembrou que Fux foi indicado ao STF pela ex-presidente Dilma Rousseff, aliada e sucessora de Lula, contra quem Bolsonaro supostamente conspirou no golpe.

O Al Jazeera enfatizou a ruptura de Fux com seus colegas e destacou sua declaração de “incompetência absoluta” da Primeira Turma para julgar o processo, defendendo que ele deveria ter sido analisado em instâncias inferiores, já que Bolsonaro não é mais presidente.

A emissora citou também a alegação do ministro de que a defesa não teve tempo para analisar o grande volume de provas apresentado, caracterizado por Fux como um “tsunami de dados”. O canal avaliou que o tribunal ainda tende a condenar Bolsonaro, mas indicou que essa pequena vitória de Fux provavelmente será temporária, já que os demais juízes devem votar pela condenação.

A Associated Press reportou que Fux se opôs a “dois pares” que votaram pela condenação dos réus e concedeu um alívio e potenciais argumentos para recurso à defesa de Bolsonaro. A agência ressaltou a extensão do voto, que levou mais de 13 horas para ser apresentado, e a reação contida dos colegas à exposição do ministro.

A AP também citou que Fux condenou ex-assessores da Presidência, Mauro Cid e Walter Braga Netto, por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

A agência EFE reforçou a defesa da “incompetência absoluta” do tribunal feita por Fux, enquanto o jornal La Nación mencionou a possibilidade de Bolsonaro ser condenado a mais de 40 anos de prisão.

Créditos: O Globo

Modo Noturno