Internacional
12:07

Zelensky e Trump se reúnem nos EUA para avançar negociações de paz

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, chegou aos Estados Unidos neste domingo (28) para uma reunião com o ex-presidente Donald Trump.

O encontro ocorre enquanto Kiev segue sob ataques constantes de mísseis e drones russos, evidenciando que os confrontos permanecem mesmo com as negociações de paz em andamento.

Em Mar-a-Lago, as negociações entre Zelensky e Trump, anunciadas com pouco antecedência, buscam superar as divergências sobre o plano de paz inicialmente apresentado pelo republicano com 28 pontos e que foi revisado pela Ucrânia para 20 pontos.

Representantes americanos têm trabalhado intensamente para formular uma proposta aceitável para Ucrânia e Rússia.

Trump, que estava em Palm Beach, Flórida, desde 20 de dezembro, interrompeu suas férias para este encontro.

A reunião foi organizada após Zelensky ter conversado por telefone, no fim da semana passada, com Steve Witkoff, enviado especial de Trump para assuntos externos, e Jared Kushner, genro de Trump, envolvido na finalização do acordo.

No início do mês, Trump havia afirmado que não via utilidade em encontros com Zelensky ou aliados europeus a menos que um acordo estivesse próximo, o que indica o avanço das tratativas.

Autoridades dos EUA relataram progressos significativos, afirmando que 90% dos termos do pacto já estavam definidos, número confirmado por Zelensky na sexta (26).

“Não é fácil. Ninguém espera que seja 100% imediato, mas devemos nos aproximar do resultado desejado a cada reunião”, declarou o presidente ucraniano.

Os 10% restantes incluem questões delicadas, especialmente as concessões territoriais para pôr fim a quase quatro anos de conflito. A Rússia mantém exigências rígidas, como a cessão total da região de Donbas.

Apesar disso, Zelensky não descarta concessões e planeja submeter o plano de paz a referendo caso a Rússia aceite o cessar-fogo, conforme exige a constituição ucraniana para mudanças territoriais.

Os EUA propuseram soluções “instigantes” para superar o impasse, incluindo a criação de uma “zona econômica livre” no leste da Ucrânia.

Também permanece em aberto o futuro da usina nuclear de Zaporizhzhia, sob controle russo e maior da Europa.

Zelensky sugeriu que a usina seja operada conjuntamente pelos EUA e Ucrânia, com metade da energia destinada à Ucrânia e o restante a Washington.

A Rússia não estará representada na reunião e sua disposição para um cessar-fogo imediato que viabilize o acordo permanece incerta.

Trump tem apontado ambos os lados, Ucrânia e Rússia, como obstáculos para a paz.

No dia anterior ao encontro, o presidente russo Vladimir Putin afirmou que, caso Kiev não obedeça ao acordo pacífico, a Rússia atingirá seus objetivos por meios militares, conforme notícia da agência estatal russa TASS.

Durante a madrugada de sábado (27), a Força Aérea da Ucrânia reportou que a Rússia lançou 519 drones e 40 mísseis contra o país.

Zelensky declarou que, apesar das negociações russas para encerrar a guerra, os ataques continuam por si só.

Fontes americanas esperam uma reunião produtiva após uma semana intensa de negociações, ainda que sem definir metas específicas para o encontro.

Antes da reunião, Zelensky expressou o desejo de concluir um acordo para acabar com o conflito, incluindo detalhes das garantias de segurança dos EUA para evitar futuras invasões russas.

Estas garantias, semelhantes ao Artigo 5 da OTAN, foram discutidas em Berlim entre Europa, Ucrânia e EUA, abrangendo dissuasão, resolução de conflitos, monitoramento do acordo e sanções para violações russas.

Um alto funcionário americano afirmou que o pacote de segurança é o mais robusto já apresentado.

Trump está disposto a levar as garantias apoiadas pelos EUA ao Congresso, qualificando-as como o “padrão ouro” para a Ucrânia.

A Rússia indicou abertura para incluir a adesão da Ucrânia à União Europeia como parte do acordo de paz.

A reunião não incluirá líderes europeus, diferentemente de encontros anteriores.

Líderes europeus acompanharam Zelensky em agosto após uma reunião tensa dele com Trump no Salão Oval em fevereiro.

Em entrevista ao Politico na sexta (27), Trump disse esperar um encontro positivo, embora tenha pontuado que Zelensky “não tem nada a dizer até que eu aprove”.

A Ucrânia vinha pressionando por este encontro desde outubro.

Autoridades europeias veem a dinâmica entre Washington e Kiev como produtiva, mas reconhecem que o resultado com Trump é imprevisível.

Um funcionário da OTAN avaliou: “Não existe cenário de baixo risco com Trump”.

Créditos: CNN Brasil

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