Polícia apreende milhares de lacres em investigação sobre metanol em SP
A Polícia Civil de São Paulo investiga dois irmãos suspeitos de adulterar bebidas alcoólicas no Campo Limpo, na Zona Sul da capital paulista, após apreensão de 1,8 mil lacres e rótulos de uísques nacionais e importados. O caso faz parte das investigações sobre intoxicações por metanol, que causaram pelo menos seis mortes no estado.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a suspeita é que os irmãos substituíam o conteúdo das garrafas importadas por bebidas mais baratas ou artesanais, adicionando tampas e lacres falsificados para vender os produtos como originais. O caso foi registrado no 37º Distrito Policial (Campo Limpo) por falsificação e adulteração de bebidas. Ainda não foi informado se o metanol foi encontrado nas garrafas.
Equipes do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania apreenderam mais de 800 garrafas suspeitas entre 29 e 30 de setembro, que foram enviadas para análise no Instituto de Criminalística. Também houve apreensões em Mogi das Cruzes, Americana e Barueri, totalizando milhares de bebidas investigadas.
Até o momento, São Paulo registra seis mortes suspeitas de intoxicação por metanol, uma confirmada e cinco em investigação, além de 37 casos suspeitos, com 10 confirmados e 27 em apuração. A maioria das mortes ocorreu em São Bernardo do Campo.
Entre as vítimas, está o advogado Marcelo Macedo Lombardi, de 45 anos, que faleceu em São Bernardo do Campo após intoxicação por metanol. Outros casos graves incluem Rafael dos Anjos Martins Silva, de 26 anos, que está em coma após ingerir gin adulterado, e Karolaine dos Santos, de 27 anos, que apresentou sintomas como dor de cabeça, tontura e falta de ar após consumir bebidas no mesmo grupo.
Outra vítima em internação é a designer Radharani Domingos, de 43 anos, que ficou cega após beber caipirinhas feitas com vodca adulterada em um bar nos Jardins. Wesley Neves Pereira, de 31 anos, também está hospitalizado após ingestão de uísque adulterado.
O governo de São Paulo instaurou um gabinete de crise para enfrentar a situação. O governador informou que os investigados não têm ligação com o crime organizado, embora a possibilidade de conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC) seja apurada pela Polícia Federal, que abriu inquérito.
Vários estabelecimentos foram interditados durante as fiscalizações, incluindo o bar Ministrão nos Jardins e o Bar Torres na Mooca, além de um minimercado na Zona Sul da capital. Clubes esportivos suspenderam a venda de destilados como medida de precaução.
Em meio à crise, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Unicamp alertou para o risco de falta de antídotos para o metanol em hospitais, indicando que em alguns casos é necessário administrar etanol puro ou fomepizol para tratar os pacientes.
As autoridades continuam as investigações e as perícias para esclarecer a extensão da adulteração e suas consequências à saúde pública.
Créditos: O Globo