PF prende influenciador T10 e esposa em operação contra lavagem ligada ao tráfico
O influenciador digital Tácio Leonardo Costa Dominguez, conhecido como T10, e sua esposa, Ingrid Ohara Silva Nogueira, também influenciadora, foram presos na terça-feira (14) pela Polícia Federal na mesma operação que prendeu o influencer Bruno Alexssander Souza Silva, chamado Buzeira.
A ação da Polícia Federal tem como objetivo desarticular um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao tráfico internacional de drogas. O casal é suspeito de envolvimento em lavagem de dinheiro e conexão com o contador Rodrigo de Paula Morgado, apontado como um dos operadores do esquema investigado.
Foram cumpridas 11 ordens de prisão e 19 mandados de busca e apreensão em quatro estados brasileiros: São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Durante as buscas, foram apreendidos carros de luxo importados, joias e dinheiro em espécie.
Segundo a Polícia Federal, Ingrid Ohara foi a quarta maior beneficiária dos recursos vinculados a Morgado no período analisado pela investigação. Entre 2023 e 2024, ela teria recebido R$ 9,45 milhões distribuídos em 23 transações bancárias ao longo de um ano, valores que, conforme os investigadores, vieram de operações de lavagem de dinheiro.
Nas redes sociais, T10 possui quase 800 mil seguidores no Instagram, onde promovia empresas de apostas, dentre elas uma própria chamada O Novo Milionário, além de compartilhar sua rotina com familiares e amigos como o influencer Gato Preto e o Mc Ryan. Ingrid Ohara também atua como influencer de lifestyle e soma mais de 300 mil seguidores na mesma rede social.
O advogado do casal esteve presente durante o cumprimento dos mandados e concedeu uma entrevista à equipe da Polícia Federal. A defesa afirmou que ambos negam qualquer envolvimento em atividades ilegais, esclarecendo que os valores movimentados têm origem em contratos publicitários e trabalhos como influenciadores digitais.
A investigação indica que parte dos recursos do esquema pode ter sido investida em apostas eletrônicas, conhecidas como bets. As medidas judiciais incluem o bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 630 milhões.
Na operação, também foi preso o empresário Rodrigo Morgado, que é apontado como operador financeiro do esquema e utilizava empresas de fachada e laranjas para disfarçar a origem criminosa dos recursos. A defesa de Morgado afirma sua inocência e destaca que ele atuava exclusivamente como contador, prestando serviços técnicos regulares.
O delegado Marcelo Maceiras explicou que o esquema envolvia remessas e lavagem de dinheiro para o exterior, utilizando corretoras de criptomoedas e empresas de apostas online, algumas legalizadas pelo governo e outras usadas apenas para ocultar a origem ilícita dos recursos.
A Operação Narco Bet contou com o apoio da polícia criminal federal da Alemanha, que executou uma medida cautelar contra um investigado localizado naquele país. Esta ação é um desdobramento da Operação Narco Vela, realizada em abril para combater o tráfico de drogas por via marítima no litoral brasileiro.
Os suspeitos responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa, com indícios de atuação transnacional, conforme apontam as investigações da Polícia Federal.
Créditos: g1