Lula defende autodeterminação da Venezuela e critica erros da esquerda
Durante o congresso do PCdoB em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a autodeterminação do povo venezuelano e criticou as intervenções externas na Venezuela, sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Lula afirmou que o Brasil jamais será a Venezuela e vice-versa, ressaltando que cada país deve decidir seu próprio destino, rejeitando interferência de governos estrangeiros.
No mesmo evento, o presidente do PT, Edinho Silva, condenou a ofensiva do governo Trump contra o regime de Nicolás Maduro, enquanto representantes dos governos brasileiro e americano negociavam tarifas comerciais em Washington.
O governo Trump autorizou a CIA a realizar operações na Venezuela, intensificando a pressão contra Maduro. Desde agosto, navios de guerra americanos operam no Caribe, alegando combate ao tráfico de drogas, enquanto Caracas acusa os EUA de realizar execuções extrajudiciais após bombardeios que resultaram em 27 mortes.
Lula também refletiu sobre o avanço da extrema direita, como a eleição de Jair Bolsonaro no Brasil, atribuindo esse fenômeno a falhas da esquerda, principalmente na comunicação.
Ele elogiou líderes de esquerda sul-americanos com quem conviveu, como Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Michelle Bachelet, Tabaré Vázquez e Fernando Lugo, lembrando que o período de maior cooperação regional foi durante sua presidência, com a criação da Unasul.
Segundo Lula, a direita está retornando ao poder, e é necessário impedir que a extrema direita volte a governar o Brasil. O presidente reiterou sua intenção de disputar a reeleição para garantir essa derrota.
Além disso, Lula pediu que a militância de esquerda adapte seu discurso para dialogar melhor com a sociedade brasileira, especialmente com os trabalhadores e o público evangélico, maioria conservadora.
Ele reconheceu que existe uma falha da esquerda em se comunicar com os evangélicos, afirmando que o erro está no modo de falar, e não no público. O presidente mencionou sua recente conversa com o bispo Samuel Ferreira, líder das Assembleias de Deus, que apoiou Bolsonaro em 2022.
Créditos: O Globo