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Carla Bruni denuncia como ‘escândalo judicial’ prisão de Nicolas Sarkozy

Nicolas Sarkozy, ex-presidente da França, iniciou o cumprimento da pena de cinco anos na prisão de La Santé, em Paris, por financiamento ilegal de sua campanha eleitoral de 2007 com recursos líbios. Sua esposa, Carla Bruni, qualificou essa decisão como um “escândalo judicial”.

Sarkozy tornou-se o primeiro ex-chefe de Estado francês a ser preso desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Ele foi condenado por associação criminosa em setembro deste ano e chegou à prisão pouco antes das 10h (8h GMT) para iniciar sua reclusão.

A publicação realizada por Carla Bruni em seu perfil no Instagram, que também foi compartilhada pelo próprio Sarkozy, manifesta a indignação do casal com a decisão. O texto começa afirmando que, ao se preparar para entrar na prisão, Sarkozy pensa em todos os franceses de diferentes origens e opiniões, dizendo que está preso como um inocente, não apenas como um ex-presidente.

Ele também questiona a antecipação da prisão antes do julgamento do recurso, previsto para meses futuros, e promete continuar denunciando o que chama de um processo injusto que dura mais de dez anos. Sarkozy sustenta que o caso de financiamento ilegal não existe e que a investigação se baseou em um documento falso.

Para evitar contato com outros presos e registros fotográficos, o ex-presidente ocupará uma das quinze celas da ala de isolamento da prisão, com nove metros quadrados.

Sarkozy encerra a mensagem afirmando que a verdade prevalecerá, ainda que o custo seja elevado.

Esta não é a primeira condenação do ex-presidente, que já utilizou tornozeleira eletrônica no início do ano. Ele possui outras duas sentenças por corrupção, tráfico de influência e financiamento ilegal da campanha de 2012, além de responder a outros processos.

Seus advogados já solicitaram a liberdade condicional, com base na lei que permite esse benefício para presos com mais de 70 anos no momento do encarceramento. A Justiça tem até dois meses para decidir sobre o pedido.

Conhecido como “Sarko” na França, ele é o primeiro ex-chefe de Estado francês preso desde Philippe Pétain, condenado após a Segunda Guerra Mundial por colaboração com a Alemanha nazista. É também o primeiro líder de um país da União Europeia a ser encarcerado.

Sarkozy, que construiu uma imagem rigorosa contra o crime como ministro do Interior entre 2005 e 2007, foi condenado por permitir que aliados se aproximassem da Líbia de Muamar Kadafi para captar fundos ilegais para sua campanha de 2007. Apesar de não haver comprovação do uso efetivo do dinheiro na campanha, o tribunal reconheceu que os recursos tinham origem líbia, motivando a condenação por associação criminosa devido à gravidade dos fatos.

Créditos: O Globo

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