Roubo de joias no Louvre complica recuperação das peças valiosas
Na manhã do último domingo, 19 de outubro, uma ação audaciosa ocorreu no Museu do Louvre, em Paris. Homens utilizaram um guindaste para invadir a galeria Galerie d’Apollon e roubaram oito joias da coroa francesa, cujos valores somam cerca de R$ 550 milhões. Segundo especialistas, há poucas chances de as peças serem recuperadas.
Leandro Varison, antropólogo e diretor de ensino e pesquisa do Museu do Quai Branly em Paris, explica que pedras preciosas costumam ser retalhadas e o ouro fundido para evitar identificação futura, processo que torna quase impossível localizar essas joias após a modificação.
Além disso, as joias são mais fáceis de transportar ilegalmente para fora do país, diferente de quadros ou esculturas, que não podem ser desfeitos e vendidos por partes. Coroas e similares podem ser desmontadas e vendidas em segmentos, atitude que, apesar de diminuir o valor histórico, facilita a comercialização ilegal das peças.
Varison exemplifica: há o caso das pepitas de ouro roubadas em setembro do Museu de História Natural de Paris, que tinha valor histórico por serem as primeiras encontradas na Guiana. Por outro lado, quadros e esculturas tendem a circular no mercado negro por anos sem deixar vestígios e possuem maior chance de serem recuperados intactos.
Em maio, o Museu Quai Branly recuperou duas raras telas a óleo do artista Jean-Baptiste Debret, pintadas no Brasil, que haviam sido roubadas durante a Segunda Guerra Mundial. Porém, outras duas obras da mesma série continuam desaparecidas.
Em setembro, dois quadros roubados foram identificados para venda em uma grande casa de leilões na França, apesar de constarem em base de dados de arte roubada e apresentarem etiquetas antigas de museu na parte de trás. Os valores dessas obras, “Coroados – Le Signal du Combat” e “Coroados – Le Signal de la Retraite”, variam entre € 60 mil e € 120 mil (aproximadamente R$ 375 mil a R$ 750 mil).
Varison ressalta a existência de um mercado de peças roubadas onde algumas pessoas compram sabendo que os objetos são ilegais. A Interpol possui uma divisão dedicada a desmantelar essas redes internacionais de tráfico de arte.
Até o momento da publicação, apenas uma das oito joias roubadas no Louvre foi recuperada: uma coroa de diamantes pertencente à imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão 3º, composta por 1.354 diamantes e 56 esmeraldas.
Existem duas principais bases de dados que rastreiam itens roubados: a da Interpol, com cerca de 57 mil objetos oficialmente reportados, e o Art Loss Register, uma base privada de Londres que reúne 700 mil registros de obras de arte, antiguidades e colecionáveis perdidos ou roubados, inclusive denúncias feitas diretamente por vítimas, como museus e colecionadores.
Casos de sucesso de recuperação incluem um broche anglo-saxão roubado em 1995, encontrado em 2021 na Inglaterra, e uma operação da Interpol em maio deste ano que levou à prisão de 80 pessoas e apreensão de mais de 37 mil itens, incluindo artefatos romanos vendidos na internet.
Créditos: Folha de S.Paulo