Lula critica guerra em Gaza e destaca avanço do Sul Global nas Nações Unidas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a condenar a continuação do conflito em Gaza e criticou a falta de avanços para a criação de um Estado palestino. Sua declaração foi feita no sábado (25), durante a cerimônia em que recebeu o título de doutor Honoris Causa em Filosofia e Desenvolvimento Internacional do Sul Global, conferido pela Universidade Nacional da Malásia, em Putrajaya, capital administrativa da Malásia.
Em seu discurso, Lula ressaltou que universidades ao redor do mundo se manifestam contra o genocídio em Gaza e contra a inércia moral que ainda impede a criação do Estado Palestino. Ele destacou que frequentemente os jovens lembram que a paz é o valor mais importante para a humanidade.
O presidente também comentou sobre o aumento de tarifas no comércio internacional, afirmando que essa prática não deve ser usada como ferramenta de coerção. Ele salientou que países que não cedem ao colonialismo ou à divisão da Guerra Fria não devem se intimidar com ameaças, em referência indireta ao aumento de tarifas sobre produtos brasileiros feito pelo governo dos Estados Unidos em agosto.
Defensor do multilateralismo e da reforma das instituições internacionais, Lula enfatizou o papel do Sul Global na busca por justiça e na redução das desigualdades. Segundo ele, a proposta brasileira para reformar o Conselho de Segurança das Nações Unidas é central para garantir uma ordem fundamentada no diálogo, diplomacia e soberania igualitária das nações, pois, sem maior representatividade, esse órgão continuará incapaz de enfrentar os desafios atuais.
No aspecto econômico, Lula considerou inaceitável que os países ricos detenham nove vezes mais poder de voto no Fundo Monetário Internacional (FMI) do que os países do Sul Global, grupo formado por nações da América Latina, Ásia e África com histórico colonial e desigualdades.
Ele acrescentou que o protecionismo e a paralisação da Organização Mundial do Comércio (OMC) geram uma situação insustentável de assimetria para o Sul Global, e afirmou ser hora de interromper os mecanismos que há séculos financiam o desenvolvimento às custas das economias emergentes.
Lula defendeu que a estrutura financeira global deve direcionar recursos para o desenvolvimento sustentável das nações emergentes, e criticou o modelo neoliberal que aprofunda desigualdades, citando que três mil bilionários ganharam 6,5 trilhões de dólares desde 2015, valor superior ao PIB nominal somado da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) e do Brasil.
O presidente permanece na Malásia até terça-feira (28), quando participará de encontro com empresários da Malásia e da Asean. No domingo (26), está prevista uma reunião dele com o presidente dos Estados Unidos para discutir a questão das tarifas aplicadas aos produtos brasileiros no mercado norte-americano.
Créditos: Agência Brasil EBC