Explosão em local de armazenamento irregular em São Paulo deixa mortos e interditados
Após terminar seu dia de trabalho, o pintor Sebastião de Souza, 50, estava preparando o jantar quando ouviu uma forte explosão.
A explosão ocorreu a menos de cem metros da casa dele, onde ele mora com a esposa e quatro filhos. Um local usado para estocar fogos de artifício explodiu na noite de quinta-feira (12), próximo ao cruzamento das avenidas Salim Farah Maluf e Celso Garcia, na zona leste de São Paulo. O incidente causou uma morte e deixou dez pessoas feridas.
As telhas do forro da casa de Sebastião caíram e os vidros estouraram, assim como em várias outras residências na rua Francisco Bueno, onde ele vive há mais de 15 anos.
“Quem protegeu foi ela”, disse Sebastião, apontando para uma imagem de Nossa Senhora Aparecida na garagem. Ele recebeu a reportagem na manhã de sexta-feira (13).
Sem outro local para ir, Sebastião permaneceu em casa, apesar das telhas caídas e dos pedaços do forro destruídos pela explosão, deixando parte do imóvel descoberta.
Outro morador do mesmo terreno, Paulo Henrique Ribeiro, 37, motorista de aplicativo e vendedor, também sofreu danos. Ele estava em casa após o trabalho e foi surpreendido pela queda do teto sobre ele, acompanhado por uma intensa fumaça. Paulo, sua mãe e a cunhada tiveram de deixar o imóvel, que está totalmente interditado.
Paulo menciona preocupação com os reparos, já que são inquilinos na residência onde vivem há mais de 20 anos, sem clareza sobre como resolver a situação.
O aposentado José da Silva Filho, 75, morador próximo ao local da explosão, retornou com a esposa à casa parcialmente destelhada, com portão da garagem torto e forro do teto caído. Ele alerta para o perigo de quedas de estuque caso haja trepidação.
A Defesa Civil interditou totalmente 12 imóveis, enquanto outros 11 foram interditados parcialmente, incluindo o de Sebastião.
Moradores como Luís Cruz, 21, e Silvia Gutierrez, 27, foram obrigados a deixar seus apartamentos impedidos de uso. Eles resgataram quatro gatos que estavam escondidos e enfrentam dificuldades para encontrar novas moradias, já que as imobiliárias não têm oferecido suporte além da devolução de depósitos caução.
Outro morador, Heber Ventura, 30, e sua família também estão sem local para dormir. Mesmo com contato à prefeitura, eles enfrentam a difícil escolha entre aceitar abrigo provisório ou deixar suas casas sem proteção contra saques.
O local onde ocorreu a explosão funcionava como armazenamento ilegal de fogos de artifício. A situação tem causado insegurança e apreensão entre os moradores afetados.
Créditos: Folha de S.Paulo