José Antonio Kast avança ao segundo turno presidencial no Chile
José Antonio Kast, advogado católico e conservador chileno, tenta pela terceira vez alcançar a Presidência do Chile. No domingo (16/11), ele passou ao segundo turno das eleições presidenciais com 24% dos votos, representando a oposição de direita. No próximo turno, enfrentará Jeannette Jara, candidata do partido governante e membro do Partido Comunista, que obteve 26%.
Kast busca unificar os votos de oposição, já tendo recebido apoio dos candidatos Johannes Kaiser e Evelyn Matthei, que juntos conquistaram 27% dos votos. Ele concorreu anteriormente para a Presidência em 2017, quando conseguiu 8%, e em 2021, quando venceu o primeiro turno mas perdeu o segundo para o atual presidente Gabriel Boric.
Nascido em Paine, na região metropolitana de Santiago, Kast é o caçula de dez filhos de uma família de alemães que emigraram para o Chile após a Segunda Guerra Mundial. O passado de seu pai, Michael Kast, tem sido alvo de controvérsia, devido a registros que o vinculam como membro do partido nazista, apesar da negação do próprio José Antonio sobre qualquer conexão da família com o nazismo.
Casado com a advogada María Pía Adriasola e pai de nove filhos, Kast é próximo do movimento católico conservador Schoenstatt. Ele rejeita o rótulo de “direita radical”, mas defende o regime militar de Pinochet, afirmando que votaria nele se estivesse vivo. O irmão mais velho de Kast, Miguel, foi ministro e presidente do Banco Central durante o governo militar. José Antonio Kast negou apoiar abusos cometidos naquele período, mas causou polêmica ao declarar que “no governo militar, muitas coisas foram feitas pelos direitos humanos de outras pessoas”.
A carreira política de Kast começou na Universidade Católica e ele foi vereador e deputado pelo partido de direita União Democrática Independente (UDI). Posteriormente, afastou-se da UDI para fundar o Partido Republicano chileno, pelo qual se candidatou nas últimas eleições.
Apesar de derrotas em eleições recentes, a passagem ao segundo turno em 2024 indica a força contínua de seu movimento político. Em 2024, superou concorrentes ideológicos como Johannes Kaiser e Evelyn Matthei, consolidando sua posição.
Analistas destacam que Kast tenta representar uma direita nacionalista populista, alinhando-se a líderes internacionais como Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele. Ele elogiou Trump após a eleição norte-americana de 2024 e mostrou admiração pelo modelo de “mão dura” de Bukele.
Kast propõe um “governo de emergência” focado em migração e segurança pública, prometendo cercas nas fronteiras chilenas để impedir imigração irregular, similar ao muro na fronteira dos EUA com o México. Além disso, quer incentivar auto-deportações de estrangeiros sem documentação, ultrapassando as ações de Trump.
Na economia, propõe um ajuste fiscal drástico equivalente a US$ 6 bilhões em 18 meses, com objetivo de “cortar gastos políticos”. Mesmo gerando desconforto na centro-direita, Kast defende essas medidas.
Ele procura evitar polêmicas recentes, como a oposição explícita ao aborto e ao Ministério da Mulher, tema que pode dificultar a conquista do voto feminino, especialmente no confronto com a candidata Jeannette Jara. Entretanto, sua posição sobre valores e direitos ainda é conservadora, afirmando defender a vida “desde a concepção até a morte natural”.
Kast reconhece a legitimidade do sistema eleitoral chileno e demonstrou respeito ao ligar para Boric após a derrota eleitoral em 2021. Amigos e analistas o consideram mais racional e moderado na expressão política em comparação a seus pares internacionais como Trump.
O candidato chileno enfrenta agora o desafio de conquistar os eleitores da direita tradicional e manter seu projeto político para tentar alcançar a presidência há oito anos, mesmo sendo visto como um candidato improvável por amigos próximos no passado.
Créditos: BBC