Notícias
10:07

BRB e Banco Master: intermediação política e investigação por operação fraudulenta

A aproximação do BRB (Banco de Brasília) com o Banco Master envolveu a participação dos presidentes do União Brasil, Antônio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira. Essa conexão resultou em uma oferta de compra do Banco Master pelo BRB, que foi barrada pelo Banco Central.

O BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal sob o comando do governador Ibaneis Rocha (MDB), tem alianças políticas com os partidos União Brasil e PP. Em 2024, enquanto Vorcaro buscava compradores para o Banco Master, a influência dos dirigentes partidários facilitou a aproximação com o banco estatal.

A interação entre Ciro Nogueira e Antônio Rueda com Daniel Vorcaro, sócio majoritário do Banco Master, foi fundamental, especialmente porque o governador Ibaneis deseja manter apoio político dessas siglas para as eleições de 2026. Ibaneis planeja concorrer ao Senado, enquanto pretende apoiar Celina Leão (PP) para o cargo de governadora do Distrito Federal.

Além da tentativa frustrada de compra, o BRB realizou em 2025 um repasse de R$ 12 bilhões ao Banco Master. Essa operação, que motivou a prisão de Vorcaro e de diretores do Master na Operação Zero Compliance, é investigada pela Polícia Federal por conter indícios de fraude, baseando-se em carteiras de crédito falsificadas e tendo o objetivo exclusivo de financiar o banco privado com recursos do banco estatal.

A defesa de Vorcaro nega irregularidades, e nem Ciro Nogueira nem Antônio Rueda responderam aos pedidos de comentário sobre sua relação com o banqueiro.

Em 2023, Flávia Peres, ex-mulher de José Roberto Arruda (PL) e atual esposa de Augusto Lima, sócio do Banco Master, iniciou a aproximação política do banco em Brasília. Por meio dela, o senador Ciro Nogueira aproximou-se do Banco Master e de Vorcaro.

Em agosto de 2023, Ciro Nogueira defendeu aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para R$ 1 milhão, proposta que beneficiaria o Banco Master, embora tenha sido rejeitada no Senado.

Com a liquidação decretada do Banco Master em 2025, o FGC deverá arcar com um socorro de R$ 41 bilhões aos investidores.

Em eventos políticos, como a festa de celebração da eleição do presidente da Câmara, Hugo Motta, e o camarote no Carnaval do Rio de Janeiro patrocinado pelo Banco Master, estiveram presentes políticos como Ciro Nogueira, Antônio Rueda e o deputado Isnaldo Bulhões. Esse último evento foi destacado pela ostentação e luxos como champagne Dom Pérignon servido no banheiro.

Ao mesmo tempo, apesar de esforços para vender o Banco Master, consultorias encontravam ceticismo sobre a qualidade dos seus ativos. Nessas circunstâncias, Ibaneis Rocha, Paulo Henrique Costa (presidente do BRB), e os presidentes do União Brasil e do PP uniram-se para viabilizar a compra, que foi barrada pelo Banco Central devido ao risco de prejuízo ao banco estatal.

Paulo Henrique Costa foi afastado da direção do BRB por decisão judicial, também sob investigação na Operação Zero Compliance.

A defesa de Vorcaro afirmou que ele havia anunciado a venda do Banco Master e tinha planos de viajar a Dubai para encontros com possíveis compradores. Advogados, por ele e pelo banco, colocaram-se à disposição das autoridades para colaborar nas investigações.

O Governo do Distrito Federal afirmou, em nota, seu compromisso com legalidade, transparência e colaboração com as autoridades responsáveis pelas investigações.

Créditos: UOL

Modo Noturno