Hugo Motta cobra explicações de quem votou contra PL Antifacção e critica governo Lula
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), criticou nesta quarta-feira (19) os parlamentares que rejeitaram o Projeto de Lei Antifacção, afirmando que eles precisam justificar seu voto contra a proposta. Motta defendeu a escolha do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) como relator e questionou a postura do governo Lula em relação ao tema.
Em entrevista à Rádio CBN, Motta destacou que a Câmara aprovou modificações que tornaram a proposta mais rigorosa no combate ao crime organizado, incluindo pena mínima de 20 anos, exigência de cumprimento mínimo de 70% da pena para progressão, proibição de visita íntima e a gravação de todas as conversas dos presos com advogados, entre outras medidas.
Ele classificou como narrativas as críticas feitas por deputados aliados ao governo, que afirmaram que as mudanças beneficiariam líderes criminosos.
“Quem cria essa narrativa é quem não teve coragem de votar a favor ontem dessa proposta que é um anseio da sociedade brasileira. Aqueles que não tiveram coragem têm que se justificar porque ficaram contra aquilo que o povo brasileiro quer”, disse Motta.
O presidente da Câmara reforçou que os que votaram contra devem se posicionar publicamente e não inventar versões falsas, pois a iniciativa representou um endurecimento no enfrentamento ao crime.
Motta salientou ainda que Derrite foi um nome técnico para relatar o projeto, ressaltando a experiência do deputado como secretário de segurança do estado de São Paulo, considerado o maior do país.
“O deputado Derrite tem mais de 20 anos de experiência no combate à criminalidade e realizou um trabalho eminentemente técnico, sem debates políticos ou construções de narrativas eleitorais, que parecem preocupar mais integrantes do Executivo”, avaliou.
Além disso, Motta afirmou que as alegações sobre o papel da Polícia Federal foram desmentidas e que o governo fez uso eleitoral da votação.
Segundo ele, o governo agiu por motivações políticas ao se posicionar contra o projeto, erro que contradiz as expectativas da sociedade.
Questionado sobre possíveis mudanças no Senado, Motta disse que serão avaliadas com imparcialidade e moderação, sem priorizar narrativas políticas. Para ele, a aprovação na Câmara representa uma vitória da sociedade em busca de mais segurança.
Na terça-feira (18), a Câmara aprovou o PL Antifacção com 370 votos favoráveis e 110 contrários, representando um revés para o governo, que discordou das alterações e tentou postergar a votação. Partidos ligados ao Executivo contribuíram com 60% dos votos favoráveis, mostrando a fragilidade da base aliada.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que a aprovação do projeto provocou uma crise de confiança entre o governo Lula e o presidente da Câmara.
“É claro que há uma crise aqui de confiança. Todos sabem que o presidente [Lula] reclamou bastante, pois é um projeto de autoria do Poder Executivo”, declarou Lindbergh após a votação.
Créditos: Folha de S.Paulo