Trump sanciona divulgação de arquivos do governo sobre Jeffrey Epstein
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sancionou na noite de quarta-feira (19/11) um projeto de lei que obriga a divulgação de todos os documentos do governo americano relacionados a Jeffrey Epstein, financista condenado por crimes sexuais e morto em 2019.
A medida determina que o Departamento de Justiça divulgue, no prazo de 30 dias, todas as informações sobre a investigação conduzida contra Epstein. Porém, dados que estejam ligados a investigações em andamento ou que representem invasão de privacidade podem ser retidos.
Com apoio de Trump, o projeto foi aprovado amplamente pelas duas Casas do Congresso, a Câmara dos Representantes e o Senado, na terça-feira (18/11).
O presidente mudou sua postura na semana anterior, após pressão de vítimas de Epstein e membros do Partido Republicano, do qual ele é membro.
Com a sanção, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, terá que liberar “todos os registros, documentos, comunicações e materiais de investigação” não classificados relacionados a Epstein e sua cúmplice Ghislaine Maxwell no prazo de 30 dias após a lei ser promulgada. Maxwell cumpre pena de 20 anos por tráfico sexual.
No entanto, o texto permite que trechos sejam retidos se forem considerados invasão de privacidade ou relacionados a investigações em andamento.
A procuradora-geral pode reter informações que comprometam investigações federais ativas ou que identifiquem vítimas.
Até a semana passada, Trump rejeitava a divulgação desses arquivos e classificava a iniciativa como uma “farsa” conduzida por membros do Partido Democrata, oposição ao seu governo, para desviar a atenção do trabalho republicano.
Em uma postagem na plataforma Truth Social, Trump afirmou: “Talvez a verdade sobre esses democratas e suas associações com Jeffrey Epstein seja revelada em breve, porque ACABEI DE ASSINAR O PROJETO QUE LIBERA OS ARQUIVOS DE EPSTEIN!”
Apesar de não exigir votação no Congresso – Trump poderia ter liberado os documentos por conta própria –, os deputados aprovaram o projeto por 427 votos a 1, e o Senado deu consentimento unânime ao texto, que seguiu para assinatura presidencial.
Os arquivos que devem ser divulgados incluem documentos sobre as investigações criminais envolvendo Epstein, como transcrições de entrevistas com vítimas e testemunhas, além de itens apreendidos em buscas em suas propriedades. Também fazem parte comunicados internos do Departamento de Justiça, registros de voos e nomes de pessoas e entidades relacionadas a Epstein.
Esses arquivos são distintos das mais de 20 mil páginas de documentos do espólio de Epstein divulgadas pelo Congresso na semana anterior, algumas contendo menções diretas a Trump.
Esses documentos incluem mensagens de Epstein de 2018 citando Trump, como “Eu sou o único capaz de derrubá-lo” e “Eu sei quão sujo Donald [Trump] é”.
Trump afirma ter sido amigo de Epstein por anos, mas que eles romperam o relacionamento no início dos anos 2000, dois anos antes da primeira prisão de Epstein. O ex-presidente nega qualquer irregularidade relacionada a Epstein.
Ao falar com jornalistas na segunda-feira (17/11) à noite, Trump disse que os republicanos “não têm nada a ver com Epstein” e afirmou que “é realmente um problema dos democratas, que eram amigos de Epstein, todos eles”.
A família de Virginia Giuffre, uma das vítimas de Epstein que morreu por suicídio no início deste ano, considerou a sanção do projeto de lei por Trump “nada menos que fenomenal” para Giuffre e outras sobreviventes.
Em declaração, o irmão e a cunhada de Giuffre, Sky e Amanda Roberts, afirmaram: “Seguimos vigilantes. Esse trabalho não terminou. Cada nome deve ser revelado, independentemente de poder, riqueza ou filiação partidária”.
Epstein foi encontrado morto em 2019 em sua cela em Nova York, em um caso classificado como suicídio pelo legista. Ele estava preso sob acusações de tráfico sexual e já havia sido condenado em 2008 por solicitação de prostituição de menor.
Conhecido publicamente, Epstein mantinha relações com várias figuras influentes, incluindo Andrew Mountbatten Windsor, irmão do rei Charles 3º; Donald Trump; Steve Bannon, ex-assessor de Trump; o ex-presidente Bill Clinton; além de personalidades da mídia, política e entretenimento.
Na quarta-feira (19/11), o ex-presidente da Universidade Harvard, Larry Summers, afastou-se temporariamente de suas funções docentes enquanto é investigado internamente devido às suas ligações com Epstein, reveladas por mensagens trocadas entre eles.
Thomas Massie, deputado republicano e um dos autores da proposta, manifestou preocupação de que parte dos arquivos possa ser retida.
“Estou preocupado que [Trump] esteja abrindo uma enxurrada de investigações, e acredito que podem tentar usar essas investigações como justificativa para não divulgar os arquivos. Essa é a minha preocupação”, afirmou.
Créditos: BBC