Departamento de Justiça dos EUA deve divulgar documentos do caso Epstein em 30 dias
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos tem o prazo de 30 dias, a partir desta quinta-feira, para tornar públicos os documentos relacionados ao caso do bilionário Jeffrey Epstein. Epstein foi encontrado morto na prisão em 2019, enquanto acusado de exploração sexual de menores e de liderar uma rede de tráfico humano. Essa investigação, que desperta grande interesse público, questiona o envolvimento de pessoas influentes políticas e economicamente.
A divulgação dos documentos foi autorizada após o presidente Donald Trump sancionar uma lei aprovada quase unânimemente pelo Congresso. Inicialmente, Trump se opôs à divulgação, mas cedeu às pressões, inclusive de seu próprio partido. A legislação exige que o Departamento de Justiça libere arquivos vinculados a Epstein, bem como informações sobre a investigação da sua morte na cela federal, que as autoridades consideram suicídio, apesar das teorias conspiratórias que sugerem uma possível “queima de arquivo”.
No entanto, a lei não assegura a liberação completa dos documentos. Ela permite que as autoridades omitam dados que revelem a identidade das vítimas e protejam investigações em andamento. Proíbe, contudo, que informações sejam retidas por motivos de constrangimento, dano à reputação ou sensibilidade política.
As acusações contra Epstein, persistentes ao longo dos anos, alimentam a expectativa de que a divulgação revele outros possíveis envolvidos em abusos. A proximidade do empresário com pessoas poderosas, entre elas Bill Clinton, Elon Musk e o próprio Trump — que declarou ter sido amigo de Epstein por 15 anos, sem conhecimento das ilegalidades —, motivou citações em documentos. Apesar disso, o FBI e o Departamento de Estado afirmam não existir evidências para novas acusações.
Embora Trump tenha usado os arquivos Epstein na campanha presidencial do ano anterior prometendo expor figuras poderosas, ele se mostrou reticente à divulgação no Congresso. Pressionado por sua base, cedeu, liberando os deputados para votarem. Após sancionar a lei, Trump apresentou a aprovação por 427 votos a 1 na Câmara como uma vitória pessoal e insinuou que a verdade sobre os democratas e suas ligações com Epstein poderá ser revelada.
Apesar das disputas políticas, o texto final do projeto reflete diversos pontos apontados pela procuradora-geral Pam Bondi, indicada por Trump, para limitar a divulgação. Além de impedir que imagens de abuso infantil sejam expostas, permite reter documentos que possam prejudicar investigações federais em curso.
Na semana anterior, Trump ordenou que Bondi iniciasse uma investigação sobre a relação de Epstein com líderes democratas, incluindo Bill Clinton. Sobre o motivo, Bondi citou “novas informações”, sem detalhar.
O legislador republicano Thomas Massie, um dos autores da lei e crítico frequente de Trump, teme que a investigação sirva de “cortina de fumaça” para evitar a divulgação completa dos documentos sobre Epstein. Ele destacou que, conforme a legislação, o Departamento de Justiça só pode reter documentos de forma específica e temporária.
Créditos: O Globo