Trump sanciona lei para liberação dos arquivos do caso Jeffrey Epstein
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sancionou uma lei que autoriza a divulgação dos arquivos da investigação sobre Jeffrey Epstein. Contudo, essa sanção não assegura a divulgação integral de todos os documentos.
Os arquivos podem esclarecer as atividades de Epstein, um magnata falecido acusado de crimes, que teve relações com Trump e outras personalidades da elite americana antes de ser condenado em 2008 por aliciamento de menores.
O escândalo tem causado desconforto a Trump há meses, especialmente por alimentar teorias conspiratórias ligadas a Epstein, utilizadas para sua promoção junto aos apoiadores.
Em uma publicação nas redes sociais, Trump sugeriu que a aprovação do projeto foi resultado de uma orientação dada por ele ao seu partido.
“Como é de conhecimento, solicitei ao presidente da Câmara, Mike Johnson, e ao líder da maioria no Senado, John Thune, que aprovassem este projeto nas respectivas casas legislativas. Em função deste pedido, os votos foram quase unânimes”, afirmou Trump.
O New York Times destacou que o pedido para que os republicanos aprovassem a medida ocorreu apenas após Trump perceber que havia perdido a disputa política sobre o tema. Contrariando sua vontade, democratas da Câmara e alguns republicanos uniram-se para forçar a votação, e conforme o momento se aproximava, outros republicanos indicaram apoio ao projeto.
A lei prevê que os arquivos relacionados a Epstein sejam divulgados em até 30 dias.
A secretária de Justiça dos EUA, Pam Bondi, confirmou que irá liberar os documentos dentro do prazo estipulado.
No entanto, a divulgação pode não ser completa. Bondi declarou que o Departamento de Justiça poderá reter materiais que afetem investigações iniciadas por Trump sobre figuras do Partido Democrata ligadas a Epstein.
Ainda não está claro se os documentos ajudarão a esclarecer dúvidas pendentes no caso, como se Trump tinha conhecimento dos abusos, como sugerem alguns e-mails de Epstein já divulgados.
Nessas mensagens, Epstein afirmou que Trump passou “horas em sua casa” com uma das vítimas e que o presidente “sabia sobre as meninas” envolvidas no esquema, sem detalhar o significado exato da frase.
Câmara e Senado aprovaram o texto sancionado por Trump em poucas horas na última terça-feira, mostrando como o caso mobilizou o cenário político americano e tornou-se prioridade para democratas e republicanos.
Ao mesmo tempo, Trump estava sob forte pressão de sua base, para a qual o caso é uma obsessão, e pode ter reconhecido que era politicamente inviável continuar a se opor à liberação dos documentos.
Créditos: Valor