Política
23:07

Tornozeleira de Bolsonaro apresentava avarias e marcas de queimadura, revela relatório

Um relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal informou que a tornozeleira eletrônica usada por Jair Bolsonaro (PL) apresentava “sinais claros e importantes de avaria”. O documento destaca a presença de “marcas de queimadura em toda sua circunferência, no local do encaixe/fechamento do case”.

Durante a análise, Bolsonaro foi questionado sobre qual instrumento utilizou na tornozeleira, e ele admitiu ter usado um ferro de solda para tentar abrir o aparelho. Em conversa com uma policial penal, o ex-presidente afirmou que começou a mexer no equipamento no fim da tarde de sexta-feira.

A Secretaria anexou ao relatório um vídeo em que Bolsonaro reconhece o uso do ferro de solda. O alarme da tornozeleira disparou às 0h07, acionando imediatamente a equipe de segurança responsável.

A escolta confirmou a violação e efetuou a substituição do equipamento às 1h09. Posteriormente, por volta das 2h, o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva do ex-presidente, que estava em prisão domiciliar, e sua transferência para uma cela na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília.

No vídeo divulgado, uma policial penal questiona Bolsonaro sobre o tipo de ferro usado e se ele tentou arrancar a pulseira que prende o equipamento ao tornozelo. Bolsonaro negou a tentativa de arrancar a pulseira e confirmou o uso do ferro de solda. A violação da tornozeleira foi registrada como uma tentativa do condenado de romper o dispositivo para facilitar uma possível fuga.

Mesmo com o relatório da secretaria, a tornozeleira avariada foi encaminhada para perícia no Instituto Nacional de Criminalística da PF, que tem o prazo legal de até dez dias para concluir o laudo, embora seja um procedimento considerado simples.

Especialistas apontam que a parte do equipamento queimada é o “coração” da tornozeleira, onde ficam os sensores e parte eletrônica, essenciais para o monitoramento, e que tanto essa parte quanto a pulseira possuem sensores que disparam em caso de danos.

A prisão preventiva de Bolsonaro ocorreu após a convocação de uma vigília próxima à sua residência em Brasília, feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) nas redes sociais. A Polícia Federal alertou o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o risco de grandes aglomerações e impacto na ordem pública, o que poderia dificultar o cumprimento da pena do ex-presidente no processo da tentativa de golpe.

O Centro Integrado de Monitoração Eletrônica (Cime) registrou a violação da tornozeleira, o que motivou o ministro Moraes a ordenar a prisão preventiva de Bolsonaro, destacando o risco concreto de fuga e a influência negativa da vigília convocada por seu filho.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, em parecer à PGR, declarou não se opor à prisão com base na urgência e gravidade dos fatos apresentados.

Moraes ressaltou em sua decisão que outros condenados ou denunciados pelo STF, aliados do ex-presidente, tentaram evasão do país, e afirmou que a prisão deveria ser realizada respeitando a dignidade de Bolsonaro, sem algemas ou exposições midiáticas.

Na manhã do sábado (22), a Polícia Federal cumpriu a ordem de prisão e transferiu Bolsonaro para a Superintendência da PF em Brasília para sua detenção preventiva.

Créditos: g1 Globo

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