Homem é agredido em vigília bolsonarista após criticar ex-presidente
Um homem foi agredido hoje durante uma vigília organizada por apoiadores próxima ao condomínio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ismael Lopes, de 34 anos, sofreu agressões por parte de bolsonaristas que participavam do evento. Ele é um dos coordenadores nacionais da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito.
Durante a vigília, Ismael usou o microfone para discursar contra Bolsonaro. Voltando-se ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ele citou um versículo bíblico para criticar a gestão do ex-presidente durante a pandemia, afirmando que Bolsonaro “abriu 700 mil covas”. Os apoiadores, então, retiraram o microfone dele.
Vídeo registrado pela reportagem mostra o momento da agressão: Ismael foi chutado e caiu no chão; em seguida, recebeu outro chute na cabeça. Um policial interveio usando gás de pimenta, provocando o afastamento dos bolsonaristas.
“A agressão era esperada, eu imaginei que poderia acontecer”, declarou Ismael à imprensa. “Vim aqui para fazer uma fala baseada na palavra de Deus, para acabar com a instrumentalização da fé cristã que eles fazem, mentindo para o povo. Muitas pessoas partiram para cima de mim, com socos e chutes. Alguém tentou me derrubar e caiu. Acabei caindo também, e alguém usou spray de pimenta no meu rosto”, relatou. Ele foi à delegacia para registrar a ocorrência.
A vigília foi convocada por Flávio Bolsonaro após a prisão preventiva do ex-presidente, que está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Durante a madrugada, Bolsonaro tentou romper a tornozeleira eletrônica.
Um dos motivos da prisão foi justamente a convocação dessas vigílias pelo filho do ex-presidente, pois a Polícia Federal entende que tais ações poderiam gerar aglomerações na frente da casa de Bolsonaro, representando risco para ele e para terceiros.
Em sua convocação, Flávio usou textos bíblicos para pedir uma mobilização permanente pela liberdade do pai. A decisão judicial, citando a “garantia da ordem pública com risco de aglomeração e para o próprio preso”, fundamentou a prisão preventiva.
Créditos: UOL Notícias