Política
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Vigília em apoio a Bolsonaro reúne aliados e gera confusão durante pregação

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou por volta das 19h10 deste sábado (22) ao local da vigília que organizou em frente ao condomínio Solar de Brasília 2, onde seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, cumpria prisão domiciliar. Ele estava acompanhado de aliados e seguranças, desceu do carro, saudou apoiadores, posou para fotos e falou brevemente com a imprensa.

Ao chegar, Flávio declarou que o encontro tinha um caráter religioso, afirmando ser uma batalha espiritual e ressaltando as orações pela saúde do pai, pela justiça e por lucidez das autoridades. Ele rejeitou a criminalização da vigília.

O senador também destacou que o ato não era político, mas um gesto de amor das pessoas próximas ao ex-presidente, dizendo que o afeto dos presentes amenizava o sofrimento da família e que jamais desistiriam do Brasil.

Flávio declarou ainda que a oposição pretende intensificar a pressão para a votação do projeto de anistia na Câmara, visando fortalecer a união da direita.

O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL-RJ), irmão de Flávio, também participou da vigília, tirando fotos e conversando com os apoiadores. Ele criticou a prisão do pai e mencionou um novo vazamento de imagem sigilosa relacionado ao caso, sugerindo que havia um desrespeito à democracia.

Diversos parlamentares aliados a Jair Bolsonaro estiveram presentes, entre eles os deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Bia Kicis (PL-DF), Marcel van Hattem (Novo-RS), e os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Izalci Lucas (PL-DF).

As orações começaram logo depois, com Flávio apresentando pastores que conduziram cânticos e pregações pedindo libertação e proteção para Bolsonaro.

Durante o ato, apoiadores levantaram bandeiras do Brasil e se reuniram ao redor de um boneco de papelão em tamanho real com a imagem do ex-presidente, simbolizando sua presença.

O grupo entoou frases como “nós não vamos desistir dele” e “vai dar tudo certo”, enquanto muitos abraçavam Flávio e rezavam. Em certo momento, o senador chorou.

A vigília foi transmitida ao vivo nas redes sociais de Flávio Bolsonaro, que depois divulgou vídeos com trechos do evento.

Quase no final, um homem identificado como Ismael Lopes, coordenador da Frente Nacional dos Evangélicos no Brasil, recebeu o microfone e fez uma pregação citando trechos bíblicos em apoio ao ex-presidente, mas ao mencionar as mortes por Covid-19, atribuiu a Bolsonaro a responsabilidade por “700 mil covas”.

Esse comentário provocou reação imediata: o ex-desembargador Sebastião Coelho, também presente, tomou o microfone, e apoiadores expulsaram Ismael com gritos, empurrões e chutes, enquanto a Polícia Militar precisou usar spray de pimenta para controlar a confusão.

Ismael deixou o local correndo sob vaias.

O encontro durou cerca de uma hora e meia.

Sobre a prisão, Jair Bolsonaro foi detido pela Polícia Federal na manhã de sábado após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que converteu a prisão domiciliar em preventiva. Bolsonaro já havia sido condenado a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, e a prisão atual tem caráter preventivo para evitar fuga e garantir a ordem pública.

Na decisão, Moraes afirmou que a vigília convocada sob pretexto religioso reproduzia a estratégia do ex-presidente de utilizar apoiadores para pressionar decisões judiciais e aumentar o risco de fuga. O local próximo às embaixadas também foi apontado como risco de pedido de asilo.

O ministro destacou que a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica foi facilitada pela confusão gerada pela manifestação convocada por Flávio Bolsonaro.

A Primeira Turma do STF deve analisar a decisão na próxima segunda-feira (24).

Créditos: CNN Brasil

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