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Paulo Artaxo critica lobby do petróleo e defende fim do consenso na COP30

Durante a COP30, o cientista Paulo Artaxo criticou a influência do lobby do petróleo e a ausência de um plano claro para eliminar os combustíveis fósseis do texto final da conferência. Ele sugeriu mudanças nos processos decisórios da ONU, defendendo que as decisões sejam tomadas por maioria em vez de consenso para facilitar avanços nas questões climáticas.

Paulo Artaxo participou da COP30 e foi signatário de uma carta que lamentou a falta de um plano para a descontinuação do uso dos combustíveis fósseis no documento final. Em entrevista após o evento ao jornal O Globo, o pesquisador explicou que essa ausência se deve ao fato de que o lobby da indústria do petróleo prevaleceu sobre os interesses globais da população.

A COP30 tinha como objetivo ser uma cúpula focada na implementação de ações, com a elaboração de um “mapa do caminho” para a eliminação dos combustíveis fósseis. No entanto, o funcionamento da ONU, que exige consenso para aprovação de decisões, tornou as negociações difíceis, já que qualquer grupo de países pode bloquear uma resolução.

Segundo Artaxo, essa exigência de consenso limita o progresso, pois os países defendem interesses econômicos ligados ao petróleo, sem considerar os impactos nas populações vulneráveis devido às mudanças climáticas. Ele propôs que a COP adote votações por maioria para superar esse impasse.

Sobre a ausência de referência aos combustíveis fósseis no documento da COP30, ele afirmou que não há retrocesso porque o tema já havia sido aprovado na COP28. O objetivo na COP30 era avançar na implementação de ações para a transição energética, processo que, segundo a ciência, deve ser acelerado, com fim da exploração dos fósseis no Brasil até 2040.

Ao analisar a participação brasileira na COP30, Artaxo destacou que o país acertou ao focar na agenda de ações concretas para esta cúpula. Contudo, lembrou que o Brasil é apenas um dos 196 países signatários e não pode decidir sozinho, especialmente diante do bloqueio promovido pelo lobby do petróleo, que busca maximizar lucros a curto prazo.

Quanto ao balanço da COP30, o cientista afirmou que a questão climática será um dos maiores desafios das próximas décadas. Ele lamentou a falta do “mapa do caminho” acordado no documento final, devido ao mecanismo de funcionamento da ONU, mas ressaltou como avanço o fato de que esta foi a primeira COP a ter os combustíveis fósseis como tema central, diferente da última conferência em Baku.

Créditos: O Globo

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