Lula avalia negociações difíceis na COP30 durante encontro do G20
Em entrevista no encerramento do encontro de líderes do G20, no domingo (23), o presidente Lula (PT) descreveu um cenário “muito difícil” nas negociações finais da COP30, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas.
O presidente informou que conversou com autoridades na África do Sul e chegou a fazer ligações durante a madrugada para Belém, onde ocorria a conferência. A cúpula do G20 acontece em Joanesburgo.
“Foi muito difícil mudar de decisão, foi muito difícil. Nós conversamos duas horas da manhã, três horas da manhã, falamos com a Ursula Von der Leyen [presidente da Comissão Europeia], com António Costa [presidente do Conselho Europeu], com Emmanuel Macron [presidente da França], telefonamos com André [Corrêa do Lago, presidente da COP], com Marina [Silva, ministra do Meio-Ambiente], com Gustavo Petro [presidente da Colômbia] e com Irene Vélez [ministra do Ambiente da Colômbia], ou seja, eu sei que deu certo”, relatou Lula.
O texto final da COP30 não mencionou a necessidade de abandonar gradualmente os combustíveis fósseis para enfrentar o aquecimento global, o que provocou críticas. Ainda assim, Lula considerou a cúpula um sucesso.
“Aprovou-se um documento único e o multilateralismo saiu vitorioso na COP30. Belém ficou maravilhosamente bonita para o povo do Pará”, afirmou.
Segundo Lula, o “mapa do caminho” apresentado pelo Brasil para a transição dos combustíveis fósseis para energias limpas foi uma vitória. Embora inicialmente ele defendesse que esse projeto integrasse o acordo final, foi rejeitado por diversos países e acabou sendo apresentado como uma iniciativa da presidência da COP30 — sem obrigação para outras nações.
“O mapa do caminho não é uma imposição de data. É uma discussão que precisa envolver especialistas, empresas de petróleo, para extinguir o uso do combustível fóssil. O petróleo não serve só para gasolina e diesel, continuará sendo importante. Eu sabia que seria difícil. Nunca imaginei que a Arábia Saudita concordaria”, explicou Lula.
Créditos: Folha de S.Paulo